A palmadinha pode estar com os dias contados. O Congresso Nacional analisa projeto que proíbe a aplicação de castigos físicos, moderados ou não, nos filhos, mesmo que a punição tenha objetivo pedagógico.
A psicopedagoga Sônia Pereira diz que a palmada atrapalha e muito no desenvolvimento da criança. Para ela, uma criança que apanha, aprende a bater e torna-se uma pessoa agressiva. “Criança que bate é porque apanha em casa. Se ela é agredida nessa fase, pesquisas mostram que na idade adulta, procuram por alguém que a agrida também”. Sônia ressalta que uma criança não se defende, mas “bata numa pessoa do seu tamanho para ver se ela não desconta”.
A psicopedagoga afirma que os pais são responsáveis pela educação de seus filhos. “Por exemplo, se elas preferem alimentos supérfluos a comida, a responsabilidade é dos pais. Quem deu bolachinhas, salgadinhos a eles” questiona. “Muitos não conseguem separar os problemas do trabalho e os de casa. Se a criança derruba um copo e os pais estão com algum empecilho no trabalho, descontam a raiva nos filhos”.
A personalidade de uma criança desenvolve até 7 anos de idade. 30% são formados pela carga genética. “São os pais que modelam os filhos” diz.
“A educação tem que ser a do olhar”, acredita a psicopedagoga remetendo-se a educação de antes, quando a mãe apenas lançava um olhar e os filhos já entendiam o que ela queria. Conversar, dialogar, olhar nos olhos é a melhor maneira de educar.
Sônia é mãe de dois filhos, um de 7 anos e outro de 22. Ela confessa que já fez as duas experiências. “O mais velho levou umas palmadas. Ele era arredio, teimoso. O de 7 nunca levou. E quando eu digo, é uma vez só” conta.
Conforme explica a profissional, os pais devem procurar orientações para lidar com as diversas situações. A internet facilita muito nessa questão. Muitos casais que não possuem filhos participam de congressos para aprenderem a educar da melhor maneira possível. “O filho não vem com manual de instruções e nem prazo de validade”.
A mãe de um menino de 6 anos diz que a única coisa que resolve para parar seu filho é a palmadinha. “Se eu não bater, não dou conta” revela.
A psicopedagoga diz que crianças pequenas estão descobrindo o mundo, por isso gostam de mexer em tudo. Se os pais as podam, não vão ter curiosidade, não conseguirão se defender. “Tudo dentro dos limites. Sem deixar que elas façam o que quiserem, imponha horários, rotinas. Ensine-as a cuidarem de suas coisas e sempre fale a verdade. A palmada não leva a lugar nenhum” aconselha.
Para a psicóloga Simone Vieira Bretas da Cunha, a questão se divide em dois lados. “Por um lado é uma prática reducionista. Tira a liberdade dos pais. A lei se sobrepõe ao desejo, à vontade dos pais fazer o que quiserem na própria casa. Em contrapartida, acontece muita violência doméstica. Nesse sentido, talvez o estado venha a contribuir.”
Segundo a psicóloga, com a tramitação desse projeto de lei, será uma oportunidade para os pais refletirem sobre essa questão, mas acredita ainda que “não há nada melhor que uma conversa, uma explicação. A primeira coisa é o diálogo. Ao invés de determinar uma lei, poderiam criar outros tipos de políticas para orientar aos pais”.