Fatores psicológicos e sociais podem atrapalhar na amamentação

Simone Vieira Bretas da Cunha, psicóloga
A trajetória da mulher, aspectos fisiológicos e históricos auxiliam na compreensão de mudanças ocorridas ao longo dos anos nas práticas dirigidas à amamentação.
O aleitamento materno é uma prática que vem de muitos anos. Com o advento da Revolução Industrial e o aparecimento da burguesia, as mães deixaram de amamentar os filhos porque passaram a considerar a prática repugnante. As amas de leite assumiram essa responsabilidade.
“Havia muita mortalidade. Ou as amas de leite apresentavam doenças, ou as mamadeiras não eram devidamente higienizadas. O estado infiltrou para acabar com isso. Iniciou-se um movimento mundial para acabar com esse índice e também incentivar o aleitamento materno” conta a psicóloga Simone Vieira Bretas da Cunha.
A mulher está inserida no mercado de trabalho. Muitas justificam o ato de não amamentar, ao fato de que trabalham, como explica a psicóloga. “Não vou dar conta. O meu leite é fraco. Meu peito tá rachando...” Isso interfere na liberação dos hormônios. A prolactina e citosina são estimuladas pela sucção do seio. Se a mãe já assume que não quer colocar o bebê para mamar, não há estímulo. Começa produzir pouca prolactina, que é responsável pela produção de leite, e a citosina que estimula a liberação do leite.
Daí a importância de se preparar, receber orientações, mas não só por parte das mulheres. A amamentação embora considerada como natural está relacionada a experiência e ao aprendizado desenvolvido no ambiente familiar, na visão da Psicologia. “Não é só a relação de que amamentar faz parte da essência feminina. São diversos fatores que não determinam, mas influenciam. Em que ambiente familiar a mulher foi criada, que cultura, quais instruções ela recebeu” exemplifica a psicóloga.
De acordo com Simone, a mulher pode estar sofrendo por não atender as expectativas. Por isso, é necessário criar políticas para orientar as gestantes, além do acolhimento e respaldo por parte do marido e da família. “Se ela tem receios, frustrações, medo de não atingir as expectativas, ela assume não querer amamentar e acaba descarregando no leite. Tem que existir um preparo. É um momento dela e do filho estreitar laços afetivos. É uma troca. O bebê só a tem para suprir todas as suas necessidades. A mãe e o seio são extensões para o bebê”.
Conforme explica Simone, muitas mães resistem à prática de aleitamento materno pelas diversas mudanças que elas sofrem, mudanças que elas pensam que vão sofrer e as facilidades que a vida moderna oferece. “O ato de amamentar não implica somente em esclarecimentos técnicos, mas também em uma mudança no modo de como diferenciar seu mundo. Então basta experimentar esse mundo de outro jeito”.
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