POLE POSITION

Até Melbourne!

Por: Sérgio Magalhães | Categoria: Esporte | 03-03-2019 08:24 | 2073
A McLaren deu pinta de finalmente  poder disputar um campeonato decente com o novo MLC34
A McLaren deu pinta de finalmente poder disputar um campeonato decente com o novo MLC34 Foto de Divulgação / McLaren

A pré-temporada da Fórmula 1 acabou. Acabou na pista, porque ainda há muito trabalho a ser feito nas fábricas das equipes depois de todas as informações que foram coletadas e experimentos testados nos oito dias de testes realizados no Circuito da Catalunha, próximo a Barcelona, na Espanha.

Carros na pista agora só em Melbourne nos dias 15,16 e 17 quando começa o campeonato, na Austrália.

O novo regulamento que provocou significativa mudança aerodinâmica nas asas dianteira e traseira visando diminuir o ar turbulento gerado pelo carro da frente que dificulta a ultrapassagem de quem vem atrás, exigiu muito dos neurônios dos projetistas e essas mudanças trouxeram num primeiro momento bastante equilíbrio na Fórmula 1. Foi notório no Circuito da Catalunha nesses oito dias de testes, embora sempre há espaço para mascarar resultados na pré-temporada.

Mas as conclusões que se tira dos testes que terminaram ontem é que a Fórmula 1 vai para a Austrália com mais dúvidas do que certeza de quem é quem. E isso vale tanto para quem vai brigar por vitórias como para a turma do pelotão intermediário como a muito não se via nos preparativos de uma temporada.

A boa notícia e que está fazendo bem à Fórmula 1 é a significativa evolução dos motores Honda, principalmente no quesito durabilidade.

Vale lembrar que a Honda foi motivo de chacota, principalmente por parte de Fernando Alonso entre 2015 e 2017 quando o motor japonês equipava a McLaren. Por imposição do próprio Alonso, a McLaren se viu obrigada a romper o contrato com a Honda para correr com os motores Renault, enquanto os japoneses fizeram com a Toro Rosso, no ano passado, uma espécie de trampolim para a Red Bull nesta temporada.

A Honda acumulou significativa quilometragem nesta pré-temporada com a Red Bull e a Toro Rosso sem nenhum problema mecânico digno de nota. Se a potência ainda é uma incógnita, a confiabilidade deu à Red Bull a expectativa de poder lutar por pódio já no começo do campeonato.

Ao que tudo indica, Mercedes e Ferrari vão disputar pau a pau o campeonato como no ano passado, mas a relação de força entre elas é a grande dúvida do momento. Se na primeira bateria de testes a escuderia italiana deixou todo mundo com a pulga atrás da orelha com a aparente simplicidade aliada à eficiência e velocidade do modelo SF90 ao ponto de o chefe da Mercedes, Toto Wolf, declarar que a Ferrari estava meio segundo mais veloz que todo mundo, na segunda bateria a Mercedes testou uma versão B do modelo W10 totalmente diferente da anterior e muito mais equilibrado, mas foi intrigante o cronograma adotado pela equipe em que seus pilotos não fizeram questão de buscar os melhores tempos enquanto os da Ferrari voavam baixo. Quem estaria de fato escondendo o jogo?

E vai ser interessante acompanhar atentamente a disputa do pelotão intermediário entre a grata sensação da pré-temporada, Alfa Romeo (ex-Sauber), Renault, Haas, McLaren, Racing Point (ex-Force India), e Toro Rosso. Há uma briga de foice entre elas pela condição de quarta força do Mundial, podendo até desbancar a Red Bull se a potência do motor Honda não estiver no mesmo nível de confiabilidade.

Pena que a Williams, salvo enorme surpresa, não possa ser incluída nesta briga pelos motivos que foram tema da coluna da semana passada que vão desde problemas de má administração a um departamento técnico instável.