DENGUE

RISCO DE EPIDEMIA: índice de focos do mosquito da dengue em Paraíso é preocupante

Agente transmissor da dengue também transmite doenças como zika e febre chikungunya
Por: João Oliveira | Categoria: Saúde | 15-01-2020 08:52 | 1203
Foto de Reprodução

A coordenação da Vigilância em Saúde em São Sebastião do Paraíso divulgou ontem (14/1) o Levantamento de Índice de Infestação do Aedes Aegypti (Lira) no município, que apontou índice de infestação de 11,5% de focos no mosquito, sua maioria nos quintais de residências. Dados no mesmo período do ano, em 2019, revelaram um índice de 10,8%, e quase 120 notificações de casos suspeitos de dengue contra sete neste ano.

Embora esse comparativo possa representar uma expectativa positiva, a Vigilância já alerta para um provável surto da doença. De acordo com a coordenadora do departamento, Daniela Cortez, diferentemente do que aconteceu no ano passado, as chuvas este ano vieram um pouco mais tardias, e tem chovido com mais frequência neste início de ano. A Vigilância já se prepara para um aumento dos casos da doença assim que as chuvas torrenciais derem uma trégua.

“Os números de casos registrados até o momento são bem menores em comparação a 2019, no mesmo período, mas há a diferença em relação à questão das chuvas. Só agora está havendo uma trégua e é quando começa aparecer mais mosquito, então o risco começa a ficar maior a partir de agora. Acreditamos que haverá muitos casos ainda, embora nossa vontade seja que não haja nenhum”, pondera.

Entretanto, de acordo com a coordenadora da Vigilância, tendo em vista o alto índice de infestação, e o fato da população ainda não se conscientizar da importância de eliminar os locais de provável foco do agente transmissor da doença, tudo isto leva a crer que será alto o número de casos registrados em 2020.

Sobre o número de focos encontrados, Daniela Cortez conta que grande parte foi observado na faixa central da cidade, área que, segundo ela, não houve um trabalho tão intenso de mutirões de limpeza como o realizado em áreas que havia registrado um alto índice de infestação em 2019 como São Judas, Santa Tereza e Veneza. “Isso é um termômetro para vermos como o mutirão nos ajuda na eliminação de focos. Todavia, se o cidadão não esperar a visita do agente de endemia e fazer ele mesmo essa vistoria, já irá ajudar muito no combate”, completa.

2019 E A LUTA CONTRA O MOSQUITO
O início de 2019 foi marcado pelo alto índice de infestação do mosquito Aedes Aegypt e também pelo número de casos notificados à Vigilância em Saúde. Ao longo do ano, ao todo, foram 1991 casos contra 113 em 2018. Naquela época, os casos se concentraram na região do São Judas, Santa Tereza e São Sebastião, onde o índice isolado ultrapassou 15% de infestação do agente transmissor da doença.

A dengue é uma doença infecciosa febril transmitida pelo Aedes Aegypti e dura em torno de dez dias. Entre os sintomas está a febre, dor de cabeça, no corpo, nas articulações e por trás dos olhos, podendo afetar crianças e adultos. É uma doença que se não for tratada pode levar o enfermo ao óbito.

O Aedes Aegypt também é responsável pela transmissão da da febre chikungunya, cujos principais sintomas são a febre alta, dor de cabeça, dores articulares e dores musculares. O período médio de incubação da doença é de três a sete dias (podendo variar de 1 a 12 dias). Não existe tratamento específico, nem vacina disponível para prevenir a infecção por esse vírus.

PARA AJUDAR NA LUTA CONTRA A DENGUE
Conforme alerta a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG), o verão é a época mais preocupante no que se diz respeito a dengue, já o clima é muito propício para a rápida proliferação do agente transmissor da doença, portanto, a única forma de combate o alto índice de infestação do mosquito são cuidados permanentes, entre eles:

- cuidado especial no armazenamento e destinação do lixo, mantendo-o em recipiente fechado e disponibilizando-o para recolhimento pela Limpeza Urbana na frequência usual;

- jamais descartar o lixo ou qualquer outro material que possa acumular água no quintal de casa, no quintal de vizinhos, na rua ou em lotes vagos;

- manter a caixa d’água sempre limpa e totalmente tampada;

- manter as calhas livres de entupimentos para evitar represamento de água;

- eliminar os pratinhos de vasos de plantas; caso não seja possível, mantê-los limpos e escovados pelo menos três vezes ao dia;

- manter limpos e escovados os bebedouros de animais domésticos; a água deve ser trocada diariamente;

- manter piscinas sempre em uso e devidamente tratadas;

- atenção especial ao sair de férias para que esses cuidados estejam garantidos na ausência do morador;

- caso perceba a manifestação de qualquer sintoma de dengue ou febre Chikungunya, procurar imediatamente o centro de saúde mais próximo.