SÃO TOMÁS

Fisioterapeuta vítima de coronavírus em São Tomás estava na linha de frente no combate à doença

Por: Redação | Categoria: Cidades | 13-04-2020 15:05 | 2912
Wesley Leite Soares de Oliveira, de 34 anos, que faleceu em Franca
Wesley Leite Soares de Oliveira, de 34 anos, que faleceu em Franca Foto de Reprodução/Divulgação

O fisioterapeuta em São Tomás de Aquino, Wesley Leite Soares de Oliveira, de 34 anos, que faleceu em Franca na tarde de domingo (12/4), vítima de complicações ocasionadas pelo coronavírus, era o profissional da área da saúde capacitado para fazer a testagem da doença no município. Ele estava afastado desde que sentiu os primeiros sintomas da doença.

Segundo informações da Prefeitura de São Tomás de Aquino, o funcionário era natural de Franca, onde reside sua família. Era concursado na Prefeitura desde 2017 e profissional capacitado para lidar com a questão do coronavírus naquele município. Ele tinha um histórico de hipertensão e estava enquadrado no grupo de risco para a doença.

Assim que sentiu os primeiros sintomas, foi afastado e outro profissional da saúde foi treinado para substituí-lo. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, ele era uma pessoa muito querida no município e gostava de cantar e tocar instrumentos. A prefeitura informou ainda que todas as pessoas com quem ele tiveram contato, foram colocadas de quarentena e estão sob observação.

FAMÍLIA
Na manhã desta segunda-feira, a irmã de Wesley, Daiane Pádua, em entrevista para a rádio Hertz FM, de Franca, falou  que ele teria feito o teste para o coronavírus e que este tinha dado negativo, o que deixou a família ainda mais abalada. De acordo com ela, a suspeita de que o irmão estaria possivelmente infectado com a doença foi registrada no dia 2 de abril, quando ele apresentou os primeiros sintomas.

“Só ficamos sabendo realmente que era isto, quando ele veio a falecer. Ele esteve em Franca onde fez o teste rápido e apontou negativo. Foi nesse momento que ele visitou meus pais, somente após ter certeza de que havia dado negativo para a doença. Mas ele não estava bem”, relata.

Daiana conta que diante da situação do irmão, seu pai o levou ao Pronto Socorro, onde apresentava quadro de falta de ar e onde foi solicitado uma vaga para a Santa Casa. “A vaga saiu para o Hospital do Coração, onde ele deu entrada e não voltou mais. Tínhamos notícia uma vez por dia. A médica informou que o rim dele havia paralisado e que iriam entrar com a hemodiálise, mas não teria tanto sucesso. Passado um momento, a hospital entrou em contato informando o óbito”.

Segundo a irmã da vítima, o tratamento foi feito tendo em vista a suspeita para a COVID-19 e H1N1, até o resultado definitivo do exame, que saiu após sua morte apontando o coronavírus. “O que nos deixa mais revoltados é que meu irmão só teve a confiança de ir na casa dos meus pais quando o resultado inicial deu negativo para a doença. Em São Tomás ele já estava isolado, e veio para Franca fazer o exame”, recorda.

Conforme Daiane, o irmão estava na linha de frente do combate ao coronavírus,  mas ainda não tinha realizado os testes e nem tido contato com pacientes com suspeita da doença.

“No final da semana do dia 27 de março ele esteve em Franca, na casa dos meus pais, foi ao mercado,  e no domingo a noite voltou para São Tomás, não sabemos onde ele poderia ter pego esse vírus. O mais triste é que não vai poder ter velório, não poderemos ver o rosto dele pela última vez para despedir”, completa.