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Angélica Verônica: Amor às ciências e, principalmente, à educação

Estou aqui para um único propósito de vida: a educação
Por: João Oliveira | Categoria: Entretenimento | 26-09-2020 08:09 | 802
Angélica é bacharel e licenciada em Ciências, com pós-graduação em Educação Ambiental e, atualmente, atua na escola Paraisense e nos colégios Galileu e Crescer
Angélica é bacharel e licenciada em Ciências, com pós-graduação em Educação Ambiental e, atualmente, atua na escola Paraisense e nos colégios Galileu e Crescer Foto de Arquivo Pessoal

A professora de Ciências e pós-graduada em Educação Ambiental, Angélica Verônica dos Santos Silva, desde muito pequena esteve inclinada a educação e, ainda nesta fase, surgiu o amor pela natureza e pelos animais. Não diferente, quando teve a oportunidade, decidiu tornar-se pesquisadora, mas na fase de estágio tudo mudou: descobriu o amor pela educação. Filha de Maria Terezinha de Oliveira e Vandeir José dos Santos (em memória), casada com Fernando de Paula Silva, Angélica, aos 31 anos, sabe que ainda há muito pela frente e entende a importância do seu papel social na formação de nossos jovens.

Jornal do Sudoeste: O que vem a sua memória quando ouve a palavra “infância”?
A.V.S.S: Vem a imagem de uma menina simples, que fazia do seu quintal o seu mundo. Sempre gostei de animais, tinha vários, era minha diversão. Também amava brincar de escolinha, cantar em reuniões familiares e brincar com meus amigos na rua.

Jornal do Sudoeste: Hoje é professora, mas como era enquanto aluna?
A.V.S.S: Sempre fui boa aluna, aliás, o primeiro celular que tive foi um presente da mãe de uma colega de sala, que no começo do ano letivo em uma reunião com os pais, prometeu um celular ao aluno que se destacasse na turma. Lembro-me até hoje da ligação do Adilson (diretor) em casa para avisar do prêmio. Isso foi em 2004, na Escola Estadual Paraisense, lugar que fez toda diferença em minha vida. Antes como aluna, hoje como professora. 

Jornal do Sudoeste:  Conte-nos um pouco da sua criação...
A.V.S.S: Meus pais são meus verdadeiros exemplos de humildade, honestidade e garra. Minha mãe, hoje aposentada, bravamente criou a mim e a minhas irmãs (Jaquelyny e Flavelyny) com muito suor e batalha. Tudo que sou devo a ela, que nunca mediu esforços para nos possibilitar uma vida digna. Ela para mim é a materialização da força feminina. Meu pai falecido há 8 anos, é sempre lembrado pela pessoa honesta, trabalhadora, amada e querida por todos. Ambos tiveram pouco acesso ao estudo, mas foram excelentes profissionais. 

Jornal do Sudoeste: Professora. Por que decidiu exercer esta profissão? O que te motivou?
A.V.S.S: Formei-me em Licenciatura e Bacharelado, então, quando ingressei na Universidade tinha em mente que iria para área de pesquisa e que a sala de aula não seria a primeira opção. Foi então que iniciei os estágios nas escolas e tive a grande oportunidade de passar por várias realidades estruturais, sociais e conhecer o verdadeiro sentido da educação. O olho brilhou e então percebi que não teria para mim, um lugar que não a sala de aula para dar sentido na minha vida e na vida de outras pessoas.

Jornal do Sudoeste: Sempre foi apaixonada pelas Ciências?
A.V.S.S: Sempre! Dizia para minha mãe que quando crescesse estudaria o mundo das formigas e não foi diferente. Sempre muito curiosa, com enorme empatia a todos os seres vivos, nunca tive dúvidas que Ciências é minha paixão. Leio, pesquiso, discuto, respiro Ciências todos os dias da minha vida!

Jornal do Sudoeste: Conte-nos um pouco da sua trajetória profissional...
A.V.S.S:  Assim que me formei, em 2015, comecei a dar aula na Escola Estadual João Alves de Figueiredo, ministrava apenas três aulas semanais e aquilo já foi uma alegria imensa, tanto pela escola incrível que é, quanto pela oportunidade de falar do que o coração estava cheio. No mesmo ano, peguei mais aulas na Escola Estadual Inês Miranda, onde conheci crianças incríveis que muito contribuíram para meu crescimento pessoal e profissional. No ano seguinte, lecionei na Escola Estadual Clovis Salgado, onde fiz várias amizades, conheci outras realidades. Em 2017, na Escola Estadual Ana Cândida de Figueiredo. A cada escola que passava, no final do ano um pedacinho do meu coração ali ficava. Em 2018, ainda no Clóvis Salgado, fui indicada para trabalhar no Colégio Crescer (colégio que amo e estou até hoje). Em 2019 tive a oportunidade de trabalhar na Escola Estadual Paraisense, sai como aluna e voltei como professora, ainda no mesmo ano tive a honrosa indicação para trabalhar no Colégio Galileu, e nestas três escolas atuo até hoje (Paraisense, Crescer e Colégio Galileu), cada uma com sua identidade, riqueza e valor contribuem com minha experiência, trajetória e para reafirmar que estou aqui para um único propósito de vida: a educação.

Jornal do Sudoeste: Atualmente, qual o maior desafio de ser professora?
Pontuarei a desigualdade de oportunidades de aprendizagem e o baixo investimento na educação pública.

Jornal do Sudoeste: Como você encara no Brasil hoje, frente a um grupo que busca desacreditar os avanços da humanidade conquistados pelo saber científico?
A.V.S.S:  Com grande lamento. Como uma frase de Richard Dawkins ‘“quando dois pontos de vista opostos são expressos com igual intensidade, a verdade não está necessariamente, num ponto médio entre os dois. É possível que um lado esteja simplesmente errado”, assim sendo o lado certo trará experimentos, resultados e comprovações. Não se trata de opinião, trata se de muito estudo, conhecimento e profissionalismo.

Jornal do Sudoeste: O perfil do aluno mudou muito? Como você tem visto as novas gerações que estão vindo por aí?
A.V.S.S:  Mudou. Vejo uma juventude crítica, com posicionamentos sócio-políticos e indagações.

Jornal do Sudoeste: Com a pandemia veio um novo olhar para a educação. Como tem sido ser professora frente a tudo isso que estamos enfrentando?
A.V.S.S:  Como professora de Ciências, sempre me esforcei para despertar o interesse de meus alunos para o conhecimento, através de aulas práticas e metodologias ativas. No ensino remoto não é diferente, desenvolvo experiências durante minhas aulas online, realizo trabalhos com o uso de tecnologia como aplicativos; vídeos elaborados, editados pelos próprios alunos. Tento exercer o que o atual cenário educacional nos pede, tornar o aluno protagonista e mostrar que a Ciência se faz no cotidiano, não apenas em laboratórios com jalecos brancos, a ciência é acessível, sou a prova disso.

Jornal do Sudoeste: Dizem que você adora animais silvestres. De onde vem essa paixão?
A.V.S.S:  Usarei o pensamento de Charles Darwin para me justificar: “a compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana”. Só aprendemos a respeitar e amar o que conhecemos. Crescemos em uma cultura que sempre associou animais silvestres como serpentes, a coisas ruins, o que não é verdade. Precisamos desmistificar essas ideias e entender que o ser humano é mais uma espécie entre tantas outras. Veja bem, entre outras e não acima das outras.

Jornal do Sudoeste: Quando não é professora, o que gosta de fazer para se divertir?
A.V.S.S:  Gosto de ficar com minha família, ouvir música, ler bons livros e fotografar a natureza, juntamente com meu esposo Fernando.

Jornal do Sudoeste: Qual a mensagem que deixa para nossos leitores?
A.V.S.S:  As ações individuais podem parecer pequenas à primeira vista, por vezes nos pegamos pensando na grandeza dos problemas e, sem querer, nos apequenamos... O coletivo é o resultado dessas pequenas ações de cada indivíduo. Você pode tornar o dia de outra pessoa especial, apenas com um sorriso sincero. Seja você a mudança que quer para mundo.

Jornal do Sudoeste: Balanço. Como avalia sua trajetória até aqui?
A.V.S.S: Uma trajetória com muita dedicação, amor e entrega. Sinto me realizada quando consigo tocar o coração de um aluno, seja com minhas palavras ou apenas com um olhar. Dei alguns passos, mas quero ir além, tenho muito pela frente e é este meu objetivo, buscar, aprender e de alguma forma contribuir para a formação sócio emocional e intelectual dos meus alunos.