CRÔNICA HISTÓRICA

Escola Profissional São José

Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cultura | 07-10-2020 13:09 | 2376
Fac-símile do projeto da Escola Profissional, Agrícola e Industrial São José, de São Sebastião do Paraíso. Correio Paulistano, São Paulo, em 21 de fevereiro de 1958
Fac-símile do projeto da Escola Profissional, Agrícola e Industrial São José, de São Sebastião do Paraíso. Correio Paulistano, São Paulo, em 21 de fevereiro de 1958 Foto: Reprodução

Esta crônica retorna ao final da década de 1950 para rememorar um evento da história de São Sebastião do Paraíso, município cafeeiro do Sudoeste Mineiro, que foi o início da construção da Escola Profissional São José. Estava em curso no Brasil, uma política pública federal de incentivo à criação de escolas profissionais e educação para o trabalho, visando valorizar as chamadas artes e ofícios. No calor dos anos dourados da construção de Brasília, o então presidente Juscelino Kubitschek havia anunciado a construção de uma Escola Profissional no referido município.

O monsenhor Jerônimo Madureira Mancini assumiu então a liderança local para que fosse construída na mesma cidade uma escola profissional no terreno da mitra diocesana, anexo ao Ginásio Paraisense. Nasceu assim um auspicioso projeto social,  prevento a existência de diferentes cursos profissionais, incluindo a formação para o trabalho agrícola e profissões como gráfico, marceneiro, carpinteiro, sapateiro, entre outras. Em paralelo à ideia social, havia a estratégia de evitar que anunciada “escola federal”, discursada pelo presidente da República, pudesse favorecer o espaço político dos simpatizantes das reformas sociais. Naquele momento, o barbeiro Geraldo Borges Campos (Peba) estava em campanha para o cargo de Prefeito Municipal.

No dia 21 de fevereiro de 1958, o Correio Paulistano, de São Paulo, noticiou o início das obras da “Escola Profissional, Agrícola e Industrial São José, de São Sebastião do Paraíso”, que seria mais um projeto empreendido pelo pároco da Matriz local. Assim teve início a construção do primeiro galpão da Escola, contando com recursos doados por empresários, fazendeiros e pela população de modo geral. Como era usual na época, por ocasião das festas religiosas, havia leilões de gado doado por fazendeiros, cujos recursos arrecadados destinavam-se ao financiamento de obras sociais da paróquia. Uma dessas festas acontecia no Dia de São Sebastião, outra realizava-se no dia 1º de maio, feriado do Dia do Trabalho, no amplo terreno que havia em frente à referida Escola Profissional São José.

Conforme consta na referida fonte, a primeira oficina da Escola seria inaugurada no dia 1º de maio daquele ano, 1958, como parte da programação da festa de São José. Um mestre marceneiro e carpinteiro, de reconhecida competência, foi contratado para ensinar um grupo de jovens aprendizes, meninos com idade média de 12 anos, que após frequentarem as aulas do grupo escolar, aprenderiam o ofício na escola. Mas, como sabem os paraisenses que testemunharam esse evento, o projeto nunca avançou no sentido da criação de outros cursos e da finalização dos prédios previstos.

O governo estava construindo escolas profissionais em diferentes regiões do país e havia uma verba prevista no orçamento federal, de 20 milhões de cruzeiros, para a construção de uma delas em São Sebastião do Paraíso. Houve então, naquele momento, dois projetos dedicados à educação para o trabalho, aquele vinculado à Igreja e o do Governo Federal, que previa abrir uma Escola Agrícola, visando a formação de profissionais para atender a vocação cafeeira da região. Quanto ao projeto da paróquia, a oficina de marcenaria chegou a funcionar durante vários anos, fabricando moveis, mas foi perdendo, pouco a pouco, o caráter educacional e passou a funcionar como prestadora de serviços na fabricação de móveis. Ao lado das questões políticas, ficou na memória afetiva de minha geração, as animadas e emocionantes festas realizadas em frente à Escola Profissional São José.