CRÔNICA HISTÓRICA

Biblioteca “dr. Noraldino Lima”

Por: Luiz Carlos Pais | Categoria: Cultura | 26-11-2020 11:23 | 348
Biblioteca Noraldino Lima do Grupo Escolar Campos do Amaral, de São Sebastião do Paraíso (1916)
Biblioteca Noraldino Lima do Grupo Escolar Campos do Amaral, de São Sebastião do Paraíso (1916) Foto de Divulgação

Esta crônica retorna 104 anos para visualizar o cenário cultural de São Sebastião do Paraíso, Sudoeste Mineiro, destacando a Biblioteca “Dr. Noraldino Lima”, do Grupo Escolar Campos do Amaral, inaugurado em 1º de fevereiro de 1916. Mesmo com a redução da exportação de café, devido aos conflitos da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), os coroneis mandatários da Câmara Municipal fizeram um empréstimo bancário de 300 contos reis para construir o prédio escolar, no terreno ao lado da Igreja Nossa Senhora do Rosário, esquina da Rua Pimenta de Pádua com a Travessa Capitão Pádua. A construção foi cedida ao governo estadual para reunir as aulas públicas primárias isoladas que funcionavam até então nas casas dos professores e das professoras.

O agente executivo municipal (prefeito), José Francisco de Paula, recebeu a visita do jornalista e empresário Roberto Capri, editor da revista “Minas Gerais”, que publicou ampla reportagem sobre a cidade e município que vinha batendo sucessivos recordes na produção de café. Em edição custeada com recursos municipais, foi noticiado que estava funcionando em São Sebastião do Paraíso uma das melhores escolas primárias de Minas Gerais. Porém, uma análise mais atenciosa da época considerada mostra que cerca de uma década antes, várias outras cidades mineiras menores já contavam com os seus grupos escolares.

Cerca de 40% das crianças em idade escolar do município São Sebastião do Paraíso não tinham acesso a nenhuma instrução pública primária, conforme dados de um artigo escrito pelo professor Gedor Silveira e publicado na imprensa nacional. Situação nada auspiciosa para o município, conhecido no país como o maior produtor de café de Minas Gerais.

A biblioteca escolar foi inaugurada com 450 livros doados pela população, resultado de uma campanha feita pelo referido professor Gedor Silveira e sua esposa, professora Luíza Aurora de Aguiar Silveira. A finalidade desse gabinete de leitura era atender aos alunos e professores do Grupo, mas  a população de modo geral podia frequentá-la para ler um bom romance ou livro de poesia.

O acervo da biblioteca incluía mapas, cartazes, materiais pedagógicos e livros organizados em três partes: os didáticos usados pelos alunos; os manuais pedagógicos destinados aos professores e textos literários, incluindo romances, poesias e contos. Naquele mesmo ano, estava organizada a Caixa Escolar, com recursos financeiros doados por comerciantes, políticos e fazendeiros, para fornecer alimentação e material escolar aos alunos mais pobres. Estava funcionando ainda no mesmo estabelecimento uma pequena farmácia para atender os alunos, professores e as pessoas pobres da comunidade. São cenas históricas e culturais da querida terra natal de ontem e de todos os tempos.