AULAS

Pais pedem retorno opcional de aulas presenciais em 2021 em Paraíso

Por: João Oliveira | Categoria: Política | 09-12-2020 09:26 | 1473
Foto: ASSCAM

Pais estiveram na Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso na noite de segunda-feira (7/12) para pedir o retorno das aulas presenciais em 2021. As aulas na rede pública e particular do município, assim como em grande parte do país, estão suspensas desde março deste ano, como medida para prevenir e conter a disseminação da Covid-19, que já contaminou mais de 1.200 paraisenses e levou outros 38 ao óbito.

Representando cerca de 300 famílias que pedem o retorno das aulas, Leandra Ferracioli Uenaka Bettio, o médico Daniel Figueiredo e Luiz Guilherme da Silva, ocuparam a tribuna para falar sobre o assunto. Leandra falou sobre o direito das crianças a volta às aulas presenciais e destacou que a pauta é única, defendo o retorno opcional das aulas presenciais com protocolos de segurança para os que querem, podem e precisam do retorno das aulas.

“Deste modo, o nosso pedido não viola o direito daqueles que desejam, precisam e podem assistir as aulas remotas em seus lares. Aqui presentes, somos pais e mães cansados, preocupados e empenhados ao lutar pelo retorno das aulas presenciais. Estão presentes pais das escolas particulares Paula Frassinetti, Nesfa, Crescer, Galileu, Objetivo e Caixinha de Supresa; e escolas estaduais: São José, Noraldino Lima e Cloves Salvado; e municipal José Carlos Maldi”, destacou.

A mãe destacou que as crianças estão há nove meses dentro de casa. “De acordo com dados mundiais 30% delas apresentam alteração de saúde mental, dentre elas regressão motora, ansiedade, medo de dormir, depressão, angústia, e ideação suicida. Ainda, paralelo a estes dados temos o aumento de violência doméstica, sexual e física, aumento de consumo de álcool pelos genitores, aumento da violência contra as mulheres, deficiência da Saúde alimentar de nossas crianças observando que crianças de escolas particulares estão engordando e crianças de escola pública estão emagrecendo, e crescente evasão escolar caracterizada pelo aumento das crianças de baixa renda nas ruas”.

Leandra destacou que onde suas filhas estudam, no Colégio Paula Frassinetti, todas as medidas de segurança para o recebimento das crianças foram observadas. “Para que as medidas tomadas pela rede privada sejam efetivadas na rede de ensino público é de conhecimento da sociedade civil a destinação de verbas federais para execução do Programa Dinheiro Direto na Escola, para que as medidas de adequação possam ser tomadas nas escolas públicas. Sim, nosso pleito abrange as escolas municipais e estaduais, afinal são todas as crianças que passam pelos mesmos problemas emocionais e sociais apresentados, sendo que o retorno às aulas presenciais se faz medida urgente para que as crianças da rede pública e privada voltem a ter uma vida com rotina escolar segura e saudável, junto de seus professores e queridos amigos”, acrescentou.

Ainda, para justificar o pedido, a mãe apresentou algumas reportagens que dizem que o retorno às aulas nas escolas de São Paulo não teria aumentado o contágio pela Covid-19. Por fim, apresentou nomes de cidades que retornaram as aulas de forma opcional, destacando ainda, deliberação de Comitê Extraordinário da Covid-19, que passa a responsabilidade do retorno das aulas para os Poderes Legislativos e Executivos municipais. Por fim, disse ainda que atividades econômicas retomaram respeitando os protocolos de segurança, mas que o mesmo não foi permitido, em Paraíso, às atividades acadêmicas.

O médico neurocirurgião Daniel Figueiredo de Paula também ocupou a tribuna para falar sobre questões técnicas envolvendo o risco de contágio pela Covid-19. Destacou os estudos que fez sobre o tema, que ressalta as medidas protetivas que devem ser adotadas pelas escolas, e também da pouca transmissão e adoecimento pela doença no público infantil. Destacou também as consequências, tanto emocionais como sociais, causadas pela Covid-19, apontado, ainda, que houve retorno das atividades econômicas, mas que o mesmo não aconteceu com as atividades escolares.

Após comentar sobre as consequências no desenvolvimento psicossocial dessas crianças que não estão tendo aula, pediu o retorno opcional do retorno às aulas para 2021.

O psicólogo Luiz Guilherme também destacou as dificuldades enfrentadas pelas famílias nos mais diferentes âmbitos e que ninguém estava preparado para enfrentar uma pandemia. Destacou que a partir de agora é preciso pensar num planejamento para o retorno das aulas, ainda que optativamente. “A escola, antes de tudo, é o principal meio de socialização de nossas crianças, que é onde vão aprender a conviver na sociedade”.

Após as manifestações na Tribuna Livre, crianças de escolas particulares se manifestaram pedindo o retorno às aulas, destacando a importância do aprendizado presencial.

O vereador Marcelo de Morais, que também é professor na rede estadual de educação, destacou que também é a favor do retorno as aulas, mas que o debate é mais amplo do que se imagina. “Estamos falando do retorno das aulas num contexto em que a escola da rede particular tem condições de fazer. É um debate que deixa muito claro para nós que o professor é insubstituível e o quanto precisamos valorizá-lo. Nessa pandemia eu trabalhei muito mais do que em sala, mediante tamanha burocracia que tínhamos que desenvolver, também, com vários relatórios. Chegou o momento de todos os pais, seja de alunos da rede pública ou particular, de participar dos debates dentro da escola, e não deixar simplesmente para os diretores e professores. É necessário participação efetiva dos pais, precisamos ter um tempinho para a vida escolar dos nossos filhos”, destacou.

Marcelo falou também da falta de estrutura na escola pública, citando como exemplo ações desenvolvidas para arrecadar dinheiro para comprar itens básicos às necessidades dos alunos. “O debate é muito maior do que a gente imagina. Acredito que ninguém tenha a roda perfeita disso tudo, mas como prefeito eleito e professor da rede, não posso deixar de defender meus colegas que tanto sofrem em sala de aula. Os professores não estão doentes somente por causa da pandemia, eles estão doentes há muito mais tempo. Ninguém gostaria de viver essa pandemia e o retorno às aulas não será obrigatório, nós precisamos ir devagar”, destacou.

Morais comprometeu-se ir a Divinópolis, onde ocorreu o retorno das aulas, para ver presencialmente todos os protocolos adotados naquele município para o retorno das aulas, para que juntos possam se vislumbrar o retorno às aulas em Paraíso. Destacou também sobre a necessidade de voltar as aulas onde há estrutura, a fim de verificar os modelos implantados e paralelamente inserir isto dentro das escolas públicas. Destacou, ainda, a importância de se criar um comitê envolvendo todos no debate, principalmente no que se diz respeito em respeitar a segurança de todos.

O vereador Valdir do Prado destacou a organização que existe em prol do retorno dessas aulas. “Entendo que é um movimento forte e que precisa ser tomada uma decisão. A rede privada está mais preparada, e a pública vai precisar de investimento para poder atender essas crianças, que vêm com uma cabeça diferente do que era antes”. Destacou ainda a importância do retorno às aulas, e que o prefeito-eleito saberá tomar a decisão correta. O vereador Vinício Scarano também destacou a necessidade de se priorizar a educação no município, e que o retorno das aulas deve acontecer de forma a garantir a segurança de todos.

A vereadora Cidinha Cerize ressaltou a importância do debate e também dos protocolos para que essas aulas retornem com segurança, como também da necessidade de se fazer um planejamento para que isso ocorra. “Precisamos abrir nossa cabeça para uma discussão saudável”, destacou. Sérgio Aparecido Gomes também destacou a importância de se debater o tema, e sugeriu uma audiência pública para discutir a questão com toda a sociedade. Falou ainda sobre a necessidade de se dar condições de trabalho aos profissionais da educação e alunos.

O vereador José Luiz das Graças disse que o principal passo foi dado, que é se ter a discussão, ressaltando que as decisões que serão tomadas serão pensando na segurança de todos. Falou também da importância de uma audiência pública para ouvir toda a comunidade e as necessidades de cada família. “Temos que pensar em todos, é para isso que estamos aqui”, apontou.

O vereador Luiz Benedito de Paula também se manifestou favorável ao retorno das aulas, mas desde que se respeite os protocolos para que não aumente os casos da Covid.

O vereador Marcelo de Morais voltou a destacar que esse possível retorno às aulas não será obrigatório, mas opcional. “Estamos falando inicialmente com a rede particular, só falarei com a rede pública no dia primeiro quando eu estiver prefeito. Isso tem que ficar claro, as pessoas precisam entender que o processo será construído na não obrigatoriedade. Precisamos pensar em como dar essa opção de retorno na rede pública”, disse.

O presidente Lisandro Monteiro também destacou a necessidade do debate e a pedido do vereador Sérgio Aparecido Gomes marcou Audiência Pública para o próximo dia 16 de dezembro, às 19h, para ouvir a população sobre o retorno às aulas presenciais.