MUSICAL

Lenda da “Maria engomada” ganha versão musical

Por: Roberto Nogueira | Categoria: Cultura | 03-07-2021 10:18 | 743
A versão musicada tem como base a obra do escritor Reynaldo Formaggio
A versão musicada tem como base a obra do escritor Reynaldo Formaggio Foto: Reprodução

Quem nunca ouviu falar de Maria Engomada, personagem da principal lenda do folclore paraisense, agora vai poder conhecer sua história através da versão cantada. Um trabalho realizado em várias mãos e encabeçado pela Biblioteca Municipal Professor Alencar Assis e em parceria com o Departamento de Cultura da Prefeitura de São Sebastião do Paraíso acaba de ser lançado e dá voz a esta memória originalmente paraisense. A iniciativa faz parte do programa Recode Bibliotecas.

O trabalho é baseado na obra do escritor e também colunista do Jornal do Sudoeste, Reynaldo Formaggio, autor do livro A Lenda da Maria Engomada. A versão musicada tem a interpretação da cantora e professora de música Vanessa Takahashi que descreveu a satisfação em participar do projeto. “Poder contribuir com música para a preservação da nossa cultura local, está sendo uma emoção sem explicação. Estou muito satisfeita, muito feliz e agradecida”, descreve.

O video com a versão musicada pode ser acessada na página da Biblioteca Municipal Professor Alencar Assis, através do endereço www.facebook.com/alencar. deassis.7 e também já circula em alguns grupos nas redes sociais.

A lenda de Maria Engomada, tem como personagem central, uma noiva, que foi abandonada no altar, vindo a falecer solteira. Depois de sua morte, dizem os antigos, que nas noites de sextas-feiras, quando o relógio da matriz dava as doze badaladas da meia-noite, ela — Maria Engomada — costumava aparecer sobre as palmeiras do velho cemitério, o­nde hoje é a praça Comendador João Alves (Fonte Luminosa).

Suas aparições eram assim: de repente, eis que surgia uma figura branca, de véu e grinalda, até meio corpo, sobre uma palmeira. Logo desaparecia para surgir, agora de corpo inteiro, sobre outra palmeira. Voltava a desaparecer para ressurgir, compridona sobre outra árvore e ficava assim como que assombrando pessoas, pelo espaço de bons minutos. O curioso é que somente à meia noite de sexta-feira que o tal fato acontecia, principalmente na quaresma...algo que até hoje é um mistério para muitos paraisenses.

A iniciativa faz parte do projeto Recode Bibliotecas que neste ano reúne em sua quarta edição a participação de 281 bibliotecas públicas, comunitárias, escolares, especializadas e universitárias. Trata-se do programa nacional de estímulo à transformação social e digital de comunidades através do protagonismo dos espaços de leitura. Para isso, oferece apoio e formação por meio de um percurso formativo. O percurso visa o desenvolvimento de uma nova programação nas bibliotecas, em sintonia com as demandas locais, tendo a inovação e a tecnologia como aliadas. Além de aumentar o número de leitores e frequentadores, ao final do percurso formativo o programa busca reconhecer as melhores práticas, atividades realizadas pelas bibliotecas e que tenham gerado impacto social.

A lenda faz parte do folclore paraisense e também integra a expressão de uma cultura. É na soma de todos os ingredientes é que se tem a composição da cultura material, formada pelos costumes e tradições de seu povo que são demonstrados de diversas maneiras seja oralmente, por escrito, encenado e agora através da música. Todos os povos têm folclore. Conhecê-lo e estudá-lo significa contribuir para que se mantenha vivo e, consequentemente, através da sua preservação é possível perpetuar cada cultura. Muitas vezes é preciso estudar o folclore para verdadeiramente entender a história de um povo.