PARAÍSO 200 ANOS

Dois quarteirões onde se respirava música

Por: Nelson de Paula Duarte | Categoria: Entretenimento | 26-10-2021 10:26 | 735
A maestrina Mirian Lauria Mantovani, Professora de música
A maestrina Mirian Lauria Mantovani, Professora de música Foto: Arquivo “JS”

Se propusessem, numa espécie de gincana histórica, uma volta ao passado de São Sebastião do Paraíso com a tarefa de se identificar locais onde mais se vivenciou a arte musical, sem nenhuma dificuldade se chegaria à conclusão que em apenas dois quarteirões, os situados entre as ruas Tenente José Joaquim e Carlos Bergamo, a Rua dos Antunes foi a que mais reuniu instrumentistas e cantores, dentre seus moradores nas décadas de 1960 e 1970.

O clarinetista Benedito Caetano Pimenta que integrou bandas de música e grupos de seresta, residia bem na esquina da Tenente José Joaquim com a Antunes, onde teve seu comércio. Quase em frente havia a Academia de Música Mário Mascarenhas, sob direção da Professora Edyna Maldi Borges, pianista, acordeonista, onde estudaram e se formaram destacados músicos de Paraíso e região.

Seguindo em direção à Estação Mogiana logo abaixo morava o pintor José Colombarolli, pracinha na Segunda Guerra, que além da arte plástica era violinista, o que com grata satisfação vim saber recentemente.

Professora Edyna Maldi era vizinha do casal Professora Aparícia Nascimento Lauria (pianista e cantora) e Caetano Lauria, violinista que deixou seu nome gravado na história musical paraisense por suas memoráveis serenatas, apresentações em teatros, no Cine São Sebastião e Recreio, na Rádio Difusora. A arte musical foi transmitida aos filhos, a maestrina Mirian Lauria Mantovani, Professora de música, pianista, cantora lírica, regente de coral, ao filho José Nascimento Lauria (Zezito), violinista, saxofonista e clarinetista. Integrou a Banda de Música, Os Brasões e o Grupo Xamego.

Confrontando com Senhor Caetano residia Domingos Colombarolli. Sua esposa Nair era cantora, e suas filhas Rose e Claudete pianistas. O fazendeiro Milton Gomes morava em frente, e suas filhas foram alunas de acordeon da Professora Édyna Maldi.

No quarteirão seguinte, logo abaixo da rua Ananias Alves Ferreira, outra numerosa família de músicos. O patriarca, Benedito Pinto Oliveira, clarinetista, tocou em bandas de música, que também foram grandes escolas para seus filhos Francisco (Chico Savério trompetista que atuou em orquestras), Colim (trompetista).  Élzio (saxofonista), e Eliseu (trompete) além de participações em outros grupos musicais estão entre fundadores dos Brasões.

No quarteirão da Rua dos Antunes entre a Ananias Alves Ferreira e Carlos Bergamo também moravam Edilberto Mumic (participou de corais), a cantora Vilma Ozelin, o saxofonista-clarinetista Adilson São Julião, que integrou a banda de música e o conjunto musical de bailes, Zezinho e Seus Big Boys.  Lucy Meire Maldi era vizinha de Adilson (no outro lado da esquina). Tocou bateria, e anos depois foi diretora da Escola de Samba Minas de Ouro.

Músicos talentosos, que por suas artes fizeram história, embalaram sonhos, por onde passaram tornaram a vida mais leve de algumas gerações. Formariam uma fantástica orquestra, que quem sabe, foi organizada no plano celestial.

A Rua dos Antunes até na década de 1960 se limitava a alguns quarteirões, a contar da Avenida Angelo Calafiori até alguns metros a mais após a Travessa Capitão Pádua onde era interrompida nas proximidades do então ao Departamento Aquático da Associação Atlética Paraisense, que na realidade se resumia em uma piscina. Daí em diante passava a se chamar Rua Sales Naves. Feita a ligação, a Antunes se estende até a Vila Mariana.