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Aplicativos de interatividade podem ser positivos, mas pais devem estar atentos

Por: João Oliveira | Editoria: cultura | 09/08/2017 | Visualizações: 104

- Foto de Reprodução

Tem crescido o número de aplicativos para smartphones que buscam tanto interatividade quanto a socialização entre pessoas de diversas partes do mundo. Um exemplo bastante popular e que se tornou uma febre recentemente foi o Pokemon Go, que fez com centenas de jovens saíssem de suas casas às ruas para “capturar” os famosos monstrinhos virtuais. Porém, existem outros que visam o mesmo objetivo: divertir, entreter e unir pessoas, como é o caso do Musically.
O Musically é um aplicativo de dublagem para smartphones com Android e iOS. O aplicativo segue a febre que foi o Dubsmash, que tinha o mesmo objetivo e que se tornou um fenômeno mundial. O serviço é gratuito e conta com um vasto acervo de canções. O Musically permite o compartilhamento de arquivos e ainda funciona como uma rede social para conhecer novas pessoas.
É o que destaca a filha da professora Ana Paula Horta, Ana Flor Pádua Martins, de 10 anos, que há cerca de seis meses vem se divertindo com a novidade. Ela gostou tanto da novidade que chegou a pedir uma festa temática do aplicativo.  
“É um aplicativo onde você pode fazer várias dublagens e até fazer algo de comédia e postar e as pessoas vão usar e postar também. Eu tenho vários seguidores e é bem legal, principalmente porque você pode criar as suas próprias falas e também dublar a de outras pessoas”, relata.
No entanto, a diversão tem o olhar atento da mãe, que está sempre policiando o que a filha tem feito. “É um aplicativo menos perigoso que grupos de jogos onde se criam clãs e há, inclusive, adultos. Já chegaram a mandar mensagens e eu sempre orientando e a ensino identificar esses perfis. Também expõe bem menos que o próprio Instagram, apesar de ter o apelo da imagem, não tem nenhuma conotação sexual, é um aplicativo bem infantil. Eu acompanho, vejo o que ela publica e às vezes ela me mostra”, destaca a professora.
Ana Paula ressalta que se bem usado, esses aplicativos e sites, como YouTube, podem ser muito bem aproveitados, principalmente para aprender coisas novas. “O que chama atenção é que elas estão em um momento de afirmação da autoestima e é uma forma de se autoafirmar enquanto ser humano, de ter visibilidade, mas não tem nenhum apelo sexual. Ela tem limite para usar e nunca houve problema. Mas claro que passa muito coisa e ninguém tem controle total, porém estou sempre atenta”.
A psicóloga Patrícia Chicaroni, destaca que é importante estar sempre de olho nesse tipo de entretenimento, principalmente quando envolve ambiente virtual. “A criança precisa brincar, interagir com outras crianças e com o meio ambiente. Os hábitos constantes com brinquedos eletrônicos podem causar estresse, isolamento e até depressão infantil. Penso que a internet e os sites sociais trouxeram grandes contribuições para as pessoas no mundo todo, porém foi o desencadeante da desintegração social e familiar, no que se refere à solidão vivida nos tempos atuais”, comenta a especialista.
Essa também é uma preocupação da mãe de Ana Flor, que estabeleceu alguns limites, como por exemplo, não usar o celular enquanto está na mesa fazendo alguma refeição. “Eu percebi que essas crianças quando estavam juntas, essa questão do eletrônico se tornava ainda mais acirrado. Ficava cada criança com o seu celular, jogando, até chegar o ponto de irmos comer fora e eles permanecerem presos ao telefone”, ressalta.
A psicóloga diz ainda que com equilíbrio, todos nossos comportamentos são saudáveis quando há quem apresente essa disciplina às crianças, no caso os pais. Patrícia ressalta ainda que a ideia do aplicativo Musically também é positiva. “Os aplicativos de canto e dança podem desenvolver habilidades psicomotoras, criatividade e desenvolvimento da inteligência interrelacional, como também, a autoestima. Mas tudo depende da quantidade do tempo que a criança se dedica. Além disto, a exposição abusava pode gerar diversos problemas emocionais, entre eles irritabilidade; dificuldade de concentração e atenção; e dificuldade de socialização, levando até uma depressão”, alerta a especialista.

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