SANTOS REIS

Devoto mantém em família tradição de montar presépio e culto a Santos Reis

Por: Roberto Nogueira | Editoria: cultura | 10/01/2018 | Visualizações: 5781

Destaque para a montagem foram os bonecos que representam uma Companhia de Reis - Foto de Roberto Nogueira

A montagem do presépio em casa é uma tradição mais que centenária que até os dias atuais continua sendo mantida entre as famílias. A ação pode ser definida como um gesto que ajuda a preparar a celebração do nascimento de Jesus, lembrado em cada Natal e que se encerra com a representação da visita dos três reis magos, quando também se comemora a Festa da Epifania. Em São Sebastião do Paraíso, na casa da família do ferroviário aposentado José Aparecido Leite este costume já está na terceira geração. “Tudo começou com meus avós, depois meus pais e agora venho mantendo este costume, mas procurando incrementar o cenário com aquilo que tenho guardado em casa”, descreve. 
O presépio é uma montagem com peças, que faz referência ao momento do nascimento de Jesus Cristo. Com o menino Jesus na manjedoura ao centro. Ele retrata e representa o local e os personagens bíblicos que estavam presentes naquele momento. O termo vem do latim Praesaepe, que significa estrebaria ou curral. A presença do Menino Jesus no estábulo demonstra a grandeza de Deus representada na fragilidade de uma criança.
De acordo com fontes históricas, o primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis no Natal de 1223. A intenção inicial era montar a representação da cena do nascimento de Cristo para explicar para as pessoas mais simples o significado da chegada do visitante ilustre ao mundo terreno. No século XVIII, a tradição de montar o presépio, dentro das casas das famílias, se popularizou pela Europa e, logo em seguida, por outras regiões do mundo.
É tradição em várias regiões do mundo a montagem do presépio na época de Natal. Os presépios podem varias em tamanho e materiais usados. Existem presépios minúsculos e outros em tamanho real. As peças podem ser feitas de madeira, argila, metal ou outros materiais. O mais comum, atualmente, é a montagem dentro das casas das famílias cristãs. Porém, encontramos também presépios em lojas, empresas, praças, escolas, igrejas e outros locais públicos.
O presépio deve ser montado no 1º domingo do Advento e desmontado no dia 6 de janeiro, data em que a Igreja celebra a Solenidade da Epifania do Senhor. E foi no apagar das luzes que a reportagem do Jornal do Sudoeste esteve na residência de José Aparecido para registrar o trabalho que foi feito. “Aqui na nossa casa, pelo que sei, a montagem do presépio vem desde o tempo dos meus avós, depois continuou com minha mãe. Há mais de 20 anos que eu também passei a fazer a montagem”, diz José. 
Diferente de outros anos o espaço dedicado ao presépio ficou maior na casa do aposentado que resolveu incrementar as peças utilizadas. Considerado um antiquário, José Aparecido tem em sua casa uma espécie de museu onde conserva centenas de objetos como máquinas de escrever, rádios, relógios, bonecos e uma enorme quantidade de miniaturas diversas. Da paixão pela profissão que exerceu como ferroviário ele coleciona réplicas de trens de ferro e até produziu a maquete da Estação Ferroviária da Ipomeia, onde morou e trabalhou por décadas junto com a família. 
Uma pequena parte dos objetos que ele conserva foi colocada no entorno do presépio junto com as peças já tradicionais. “Foi a primeira vez que fiz isso e todo mundo que veio aqui gostou demais”, conta José. Por isso, além dos símbolos natalinos foi possível observar outros detalhes de objetos que compuseram o cenário, dando um ar diferenciado ante aquilo que já é tradicional.
No entanto, a principal novidade que ele fez para ornamentar o presépio foi a composição dos bonecos representando uma Companhia de Reis. “Gosto muito disso e tive esta ideia, adquirimos as peças, as roupas foram confeccionadas e juntei a casa um os instrumentos que já tinha em coleção”, conta. Trata-se da Folia de Reis, “grupo que reúne cantadores e instrumentistas para celebrar a data”. É uma tradicional festa trazida pelos colonizadores portugueses no século XVIII e que ainda se mantém viva e forte em diversas cidades, inclusive em Paraíso e região. 
A residência de José Aparecido foi visitada por três companhias de reis do município. “Vieram aqui, apresentaram, cantaram diante do presépio e todos gostaram muito, eu fiquei mais satisfeito pelo fato das pessoas gostarem. No fim do ano vou montar novamente este presépio procurando aperfeiçoar ainda mais”, antecipa. 
Apesar da tradição dizer que o desmonte do presépio e da árvore de natal deva ocorrer no dia 6, o colecionador deixou por mais um dia permitindo o registro da reportagem. Na segunda-feira, 8, o material foi desmontado e parte da coleção será guardada, enquanto que outros objetos voltarão para a outra sala para a exposição.

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