XEQUEMATE

Inteligência e Xadrez

“Educar as pessoas através também do xadrez”

Por: Gérson Peres Batista | Editoria: esporte | 12/02/2018 | Visualizações: 3027

Gérson Peres Batista é pedagogo e professor de xadrez - Foto de Reprodução

O americano Howard Gardner pesquisou anos a fio para tentar encontrar a razão pela qual os testes de QI, usados até então quase que exclusivamente para descobrir se um indivíduo era ou não inteligente, prediziam com considerável exatidão o desempenho escolar, mas não mostrava de maneira satisfatória seu sucesso numa profissão depois de uma instrução formal.
E indagava ainda: "Será que um jogador de xadrez, um violinista ou um atleta que se destacam são inteligentes nessas atividades? Se eles são, então por que os testes de inteligência não conseguem identificá-los? Se não são, o que lhes permitem conseguir esses feitos espantosos?"
O cientista encontrou uma resposta satisfatória: a inteligências múltiplas. A inteligência seria um potencial biopsicológico combinando, portanto, herança genética e propriedades psicológicas. O talento seria um sinal desse potencial, fazendo com que ela se desenvolvesse mais rapidamente.
Gardner comprovou sua teoria de forma empírica e catalogou à época sete inteligências que considerou principais. São elas:
Linguística: refere-se, naturalmente, ao domínio da linguagem. Os escritores e oradores geralmente têm essa capacidade bastante desenvolvida.
Lógico-matemática: diz respeito ao senso de educação, observação, capacidade de cálculo, entre outros. Os que se dedicam às ciências exatas a possuem em alto grau.
Musical: facilidade que as pessoas apresentam para o canto, lidar com instrumentos musicais, etc. Mozart seria um dos maiores representantes desse domínio.
Corporalcinestésica: capacidade de usar o próprio corpo para expressar uma emoção (como na dança ou no teatro) e realizar atividades desportivas (tênis, voleibol, basquete...).
Espacial: solução de problemas espaciais são necessários na navegação, ao visualizar um objeto ou na criação de mapas.
Intrapessoal: o conhecimento dos aspectos internos de uma pessoa: sentimento da própria vida e das emoções. A pessoa com boa inteligência intrapessoal possui um modelo viável e efetivo de si mesma.
Interpessoal: baseia-se na capacidade de perceber distinções entre os outros, em espe-cial, contrastes em seus estados de ânimo, temperamentos, motivações e intenções. Em formas mais avançadas, permite a uma pessoa perceber as intenções e desejos dos outros, mesmo que elas os escondam.
Atualmente agrega-se a estas inteligências mais duas: espiritual e da natureza.
O xadrez tem papel importante no desenvolvimento direto em pelo menos duas das inteligências citadas acima: espacial, fundamental na análise do controle territorial; e a lógico-matemática, em função do cálculo de variantes e deduções de caráter posicional que são empreendidos durante uma partida. 


INTELIGÊNCIA EMOCIONAL
Publicado nos Estados Unidos em 1995, o livro “A Inteligência Emocional”, de Daniel Goleman, logo fez um enorme sucesso, o que acabou se repetindo também no Brasil.
O livro baseia-se numa ideia simples: além de uma inteligência "intelectual" nós possuímos também uma inteligência "emocional", tão ou mais importante que a outra para o sucesso na escola e na vida.
Goleman fala até mesmo em um QE (Quociente Emocional), que complementaria o QI (Quociente Intelectual).
Em relação à educação, Goleman e autores influenciados por ele, falam da importância de educar as emoções e fazer com que os alunos também se tornem aptos a lidar com frustrações, negociar com os outros, reconhecer as próprias angústias e medos etc.
Goleman chega a citar alfabetização emocional, como uma espécie de nova matéria, e em lições emocionais.
O xadrez oferece um ambiente formidável para trabalharmos esta inteligência em nós.
No jogo temos que saber negociar trocas de peças; avançar e recuar nos momentos certos; lidar com a dor de uma derrota, recompondo nosso equilíbrio emocional para instantes depois buscar uma vitória na rodada seguinte.
O triunfo sorrirá àquele que tiver mais vivência prática, bagagem teórica e, sobretudo, controle de suas emoções. Vamos educar as pessoas através também do xadrez!

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