POLEPOSITION

Quebrando paradigmas

Por: Sérgio Magalhães | Editoria: esporte | 12/02/2018 | Visualizações: 2010

Fórmula 1 decreta o fim das grid girls. Aqui, as moças do GP do Brasil do ano passado - Foto de Sergio Magalhães

O Liberty Media, grupo que comprou os direitos comerciais da Fórmula 1 e assumiu o comando no começo do ano passado, prometeu e está cumprindo o propósito de dar uma chacoalhada na categoria. 
Um dos objetivos era/é aproximar a Fórmula 1 do público e atrair novos fãs. O público fiel da categoria está envelhecendo. A maioria tem idade acima dos 40 anos, e o modelo de gestão do ex-chefão, Bernie Ecclestone, não contribuía em nada para atrair os mais jovens.
O mundo passa por grande transformação sócio/econômico/cultural, e os jovens de hoje estão muito mais conectados em suas redes sociais do que interessados em passar horas na frente da TV, exceto quando estão se divertindo com jogos eletrônicos, muitas vezes com os da própria Fórmula 1, sem necessariamente se interessar pelo esporte real. Ecclestone nunca quis enxergar isso. Já o Liberty Media avançou nesta direção no ano passado e promete abrangência maior nesta temporada em outras plataformas digitais a fim de atrair novos adeptos ao mundo das corridas. 
Pilotos passaram a ser entrevistados na pista, diante dos torcedores nas arquibancadas ao fim dos treinos de classificação, e no pódio depois das corridas. Teve GP que sofreu mudança na programação para encaixar show musical. Um garoto, fã de Kimi Raikkonen, foi trazido da arquibancada aos boxes da Ferrari para conhecer o piloto depois de ser flagrado pela TV aos prantos com o abandono do finlandês no GP da Espanha. O antigo logotipo da Fórmula 1 foi substituído por outro mais moderno. E sequer houve restrição à ausência de Fernando Alonso no GP de Mônaco para correr as 500 Milhas de Indianápolis, tampouco à McLaren por inscrever um carro para o espanhol.
Não é só. Os novos donos da Fórmula 1 querem mais. Prometem mexer em campo minado. No ego das grandes equipes com uma divisão mais justa das verbas repassadas às equipes, dando mais dinheiro para quem tem menos. Mas isso é tema para as próximas colunas. Vai render bons capítulos.
Semana passada o Liberty Media decretou o fim das grid girls sob a alegação de que a “pratica de adotar grid girls não faz parte dos valores da marca, além de ser questionável quanto às normas sociais modernas”. Nem precisa dizer que gerou enorme polêmica. A intenção da Fórmula 1 é não passar a imagem de evento que expõe a beleza feminina apenas como objeto. 
Agora serão meninos e meninas, dos GPs locais, que competem no kart, que vão segurar os guarda-sóis, ou as placas com o número e nome dos pilotos. “Será um momento extraordinário para esses jovens poder ficar perto de seus ídolos, vendo-os preparar para correr”, disse Sean Bratches, um dos dirigentes do Liberty Media.
Vejo isso como uma polêmica desnecessária. As corridas vão acontecer do mesmo jeito, com ou sem grid girls. No fundo os dirigentes acabaram fazendo um belo trabalho de marketing, colocando a Fórmula 1 no centro das atenções – antes da pré-temporada –, numa época em que as equipes ainda trabalham em suas fábricas na finalização de seus carros. Saem as moças, entram as crianças que ganham incentivos para seguir carreira, e segue o barco. 


PIETRO FITTIPALDI
Campeão da Fórmula V8 3.5 no ano passado, neto de Emerson Fittipaldi fechou acordo com a Dale Coyne e fará sete corridas na F-Indy este ano, entre elas as 500 Milhas de Indianápolis.


GRID DE PESO
A Stock Car ganhou outro nome de peso para a 40ª temporada de sua história: Lucas di Grassi, atual campeão da Fórmula E (campeonato de carros elétricos), que assim como Nelsinho Piquet (também campeão da F-E) vão conciliar as duas categorias em 2018.

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