EDITORIAL

De tão mutiladas, algumas árvores poderão ser cortadas de vez

Por: Nelson de Paula Duarte | Editoria: cidades | 20/06/2018 | Visualizações: 2363

- Foto de Reprodução

Vereadores repercutiram na sessão da Câmara, matéria publicada pelo Jornal do Sudoeste na edição de sábado, sobre a malfadada poda de árvores, que em muitos casos esteve mais para mutilação, feita por empreiteira contratada pela Cemig. Mas o desastroso desserviço ficou mais como uma anotação nos anais daquela Casa, quando se trata de algo mais complexo, a exigir que se aplique medidas cabíveis, e isso não foi aventado pelos vereadores.
É sabido que não são poucas as exigências feitas ao cidadão comum quando ele solicita permissão para substituir árvore cujas raízes estão danificando calçadas e própria estrutura de seu imóvel. Afinal, em parte concordamos, deve ser assim, passando por análise de técnico, ou profissional gabaritado para tal, isso para evitar abusos, que  acabam acontecendo.
Se o cidadão não se atentar a entrar com o pedido, e resolver sem maiores delongas cortar a árvore, estará seriamente enrolado, e sujeito a penalidades, inclusive pecuniárias, ou seja, terá que enfiar a mão no buraco do bolso, e pagar pelo erro, passível até mesmo de responder por crime ambiental.
Numa avaliação inicial, conforme tomou conhecimento o Jornal do Sudoeste não se descarta a hipótese do corte de árvores, de tão mutiladas ficaram, e isto se constata a olhos vistos, não é preciso ser especialista.
O lamentável é que todo o desbronco passou sem ser percebido por quem deveria fiscalizar, e não fiscalizou, e nesse balaio estão a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e a própria Cemig, contratante da empreiteira que, pelo visto, teve em mente abastecer motosserras com gasolina e óleo dois tempos, e cortar o que encontrasse próximo a fiação. E o critério, salvo melhor juízo não pode ser esse.
Não é a primeira vez que a mando da Cemig, isto acontece.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente não pode entregar a cidade, de olhos fechados, como fez no caso em tela. É preciso acompanhamento para não ser colhida de surpresa, como foi, com muito estrago feito.
Lado outro, é difícil acreditar que por sua vez, a Cemig, justamente ela, com quem o município mantém convênio para plantio e conservação de árvores na área urbana paraisense, que, vez por outra envia seus técnicos para ministrarem treinamentos a funcionários municipais que atuam no setor, tenha custeado o estrago.
Que as espécies plantadas em vias públicas de São Sebastião do Paraíso não são as mais indicadas, não há dúvida. Valeu a intenção de quem, bem intencionado determinou a arborização à sua época. Substituí-las é necessário, e seria providência a ser tomada, não é de hoje. Mas decepa-las como em grande parte se fez, contraria princípios de estética e de segurança. Enfearam vias públicas.
Se o cidadão comum, aquele que paga IPTU, cair na besteira de cortar uma árvore, fora do combinado, ou seja, naquilo que reza a cartilha do meio ambiente, não há dúvida, verá a viola em cacos.
Resta saber se o mesmo critério, peso e medida, serão aplicados à Cemig e sua contratada.

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