CRÔNICA - Joel Cintra Borges

Crer

Por: Joel Cintra Borges | Editoria: cultura | 22/07/2018 | Visualizações: 2769

- Foto de Reprodução

Uma casa precisa de um bom alicerce para manter-se de pé. Quanto mais alta, mais pesada, mais elaborada deve ser a estrutura que a sustenta.
O mesmo acontece conosco. Ao longo de nossa vida, a partir da infância, temos que ir juntando valores, como crenças, conhecimentos e sentimentos, que serão nosso sustentáculo ao longo da vida, a qual nem sempre é um mar de rosas. Por vezes o oceano se encapela, gigantescas ondas se abatem sobre nosso barco e temos que encontrar soluções, sobreviver, dar a volta por cima! E uma verdade insofismável é que, no íntimo, estamos sozinhos: ainda que queira, ninguém carrega a cruz de ninguém.
Uma crença importante, certamente a mais importante de todas, é em Deus, numa vida futura. Porque é essa ideia que dá sentido à existência física. É essa crença que dá forças à pessoa que se descobre com uma doença grave, nada mais podendo esperar que alguns anos de muita dor e muito sofrimento, para si e para seus familiares.
Não seria mais prático pedir a um médico, ou a um enfermeiro, para fazer uma eutanásia, uma injeçãozinha na veia com bastante anestésico?  Logo o sono vem, de forma profunda, profunda até demais... 
É isso que já se usa há muitos anos na Holanda, Bélgica,  Suíça, Canadá e alguns estados dos norte-americanos, de forma absolutamente legal. Tempos atrás vi uma entrevista na Veja, dada por um desses abreviadores de vidas. Muito tranquilo com seu trabalho, sem qualquer preocupação de ordem ética. Aliás, do ponto de vista do ateu, esse modo de agir é, sem sombra de dúvida, o mais inteligente, o mais lógico e o mais simples. E é muito grande na Europa e nos Estados Unidos o número de ateus confessos e de agnósticos (aqueles que não se interessam por esse tipo de questão. Preocupam-se com a vida e nada mais).
No Brasil, a porcentagem de religiosos é bem grande. As pessoas falam muito em Deus. É uma coisa bonita. Católicos, luteranos, evangélicos, espíritas, umbandistas e, em menor número, praticantes de outras religiões. É relativamente difícil encontrar um ateu. Parece que isso surgiu da grande miscigenação de raças que aconteceu em nossas terras. O sangue brasileiro, por assim dizer, é novo, jovem, um pouco do europeu em mistura com o africano e o indígena. Tudo isso pode ter se traduzido em uma forma de mais humildade diante do desconhecido!
Outra coisa que deve ter influído muito é que o Brasil não é, e nunca foi. um país rico. Desde nosso descobrimento lutamos com dificuldades.
Certa ocasião, alguém perguntou a um dos principais líderes de uma grande igreja evangélica, porque eles não construíam igrejas em bairros nobres das grandes cidades. Sua resposta foi curta e objetiva:
–  Os ricos não precisam de Deus!

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