• Dos Leitores •

Que Futuro Queremos?

Por: Redação | Editoria: acidente | 18/07/2018 | Visualizações: 1151

- Foto de Reprodução

O Jornal Folha de São Paulo, datado de 06/06/2018, publicou em sua página B-1 uma matéria que trata do assassinato de jovens no Brasil nos últimos 11 anos. Foram mortos 324.967 jovens na faixa etária de 15 e 29 anos conforme consta do Atlas da Violência, uma publicação do Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O mesmo jornal publicou em 11/06/2018, página B-1, matéria que precifica o custo da vida de jovens de 13 a 25 anos ceifadas no Brasil. Cada vida interrompida custa ao país R$ 550 mil, tendo custado em vinte anos a bagatela de 450 bilhões. Isto foi concluído em um estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo federal, e este cálculo foi possível quando se observou os gastos do setor público e privado em perda da capacidade produtiva, seguros e danos materiais, encarceramento, serviços médicos e terapêuticos, segurança e custas judiciais. 
Na mesma Folha de São Paulo de 17/06/2017, pagina B-1, consta a notícia de que 62% dos jovens brasileiros desejam ir embora do Brasil, por razões diversas. As informações acima já constaram de publicações anteriores; aí estão para ilustrar. 
Novamente no mesmo jornal, edição de 29/06/2017, pagina B-1, vem a matéria afirmando que, de cada três escolas de ricos no país, uma delas não atinge o desempenho esperado no Enem. A matéria é extensa, apresenta muitos dados interessantes, vale a pena ser lida e evidencia o caos de nossa educação, onde nem mesmo o pagamento caro representa qualidade de ensino. Nesta matéria consta ainda que nas escolas públicas, onde estudam 80% dos alunos do ensino médio, o desempenho é melhor onde os alunos têm um poder aquisitivo melhor. Isto evidencia que o desempenho do aluno, e inclusive nas escolas particulares, está intimamente ligado ao seu nível socioeconômico.  Está provado que a desigualdade não só denigre, humilha e mata, mas também torna as pessoas menos capazes. Na página B-4, existe a informação de que das 100 escolas mais bem qualificadas no Brasil, 85% estão localizadas no Sudeste, ou seja, a parte mais rica do país.
Conforme matéria do jornal O Estado de São Paulo de 24/06/2018, somente 2,4% dos jovens brasileiros querem ser professores. Isto é preocupante. Com a educação pública sucateada num processo político corrompido e bem arquitetado por gente desqualificada, parte das escolas particulares, que embora recebam fortunas não formam ninguém e as pessoas que não querem assumir a carreira de professor, qual será nosso futuro? 
Dúvidas precisam ser esclarecidas. Como formar uma geração com professores ganhando um piso de pouco mais de um salário mínimo, isto quando recebem, e em dia? Um professor com esta remuneração, com as condições oferecidas atualmente para exercício de suas funções, tem estimulo para se aprimorar? Como podemos tratar nossos professores com tamanho descaso, nos esquecendo de que são os formadores do país que desejamos e precisamos? Como estimular o aluno com escolas sem a mínima condição de infraestrutura para o receber? Como incentivar o aluno a ir para a escola, quando estão roubando até a merenda escolar e os métodos de ensino não guardam nenhuma relação com a realidade? Como diminuir a desigualdade social? Qual o caminho a seguir?
Infelizmente nossas perspectivas são desanimadoras, o governo federal congelou investimentos em educação por vinte anos, nossos governos estaduais e municipais não priorizam em nenhum momento a formação de nossa juventude, alegando falta de recursos. Como podem congelar o investimento na formação da consciência do país e nós aceitarmos isto com naturalidade? E o que é um acinte ao povo é que, alguns funcionários graduados de todos os poderes, ganham fortunas em penduricalhos, além do razoável e da moralidade, à custa do erário público, inclusive o pagamento de escolas para os filhos. 
A juventude acuada pelas faltas de segurança e pelo assassinato desenfreado de jovens e adolescentes, de formação intelectual e profissional, de esperança em um futuro decente, de compromisso do poder público com esta faixa etária da população, nossa visão obtusa e imediatista do que ocorre, explica o desencanto desta juventude com o país. As consequências disto serão devastadoras. 
- “A vida é como uma árvore grandiosa. A infância é sua ramagem verdejante. A mocidade constitui de suas flores perfumadas e formosas. A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. Há ramagens que morrem depois do primeiro beijo do sol, e flores que caem ao primeiro sopro da primavera. O fruto, porém, é sempre uma benção do todo poderoso. A ramagem é uma esperança, a flor uma promessa, e o fruto uma realização” (Cristo falando aos Apóstolos – Livro Boa Nova – Psicografado por Chico Xavier).
Como evitar que as ramagens morram e as flores caiam, se tratamos nossos jovens e crianças com este descaso e falta de compromisso? A árvore não frutificará, pois se tornará estéril. Nestas condições o ciclo não se completará. É chegada a hora de assumirmos um papel sério com os destinos do nosso povo e nosso país.
João Batista Mião. 
São Sebastião do Paraíso.
Meu respeito aos professores do meu país, do meu estado e de minha cidade.

GRÁFICA E EDITORA DR LTDA

  • Av. Monsenhor Mancini, 212 - Sala 1
    Centro - São Seb. do Paraíso, MG
    CEP: 37950-000
  • E-mail: jornalsudoeste@yahoo.com.br
  • Website: www.jornaldosudoeste.com.br
  • Telefone: (35) 3531.1897