Samira Félix vence os 800 metros rasos no JEMG e se classifica para o Brasileiro Escolar
Aluna da E.E. Clovis Salgado conquista ouro nos 800 m e prata no 4x100 na fase estadual em Uberlândia; próxima parada é o nacional, em setembro

A
paraisense Samira Oliveira Félix, estudante da Escola Estadual Clovis Salgado,
venceu os 800 metros na fase estadual dos Jogos Escolares de Minas Gerais
(JEMG), disputada em Uberlândia. Com o ouro, a atleta garantiu vaga na fase
nacional, que acontece em setembro. Além
disso, ela foi medalha de prata no revezamento 4x100.
“Foi
a melhor sensação do mundo”, disse Samira, ainda digerindo o título. “Eu me
dediquei, batalhei e conquistei o que eu queria. Deixei várias pessoas
orgulhosas — inclusive a mim mesma.” A final mineira foi dura, com adversárias
qualificadas, “uma delas já tinha ido ao Brasileiro”. Antes da prova, veio o
baque: “Eu não estava confiante o tempo todo, senti muito medo.” O antídoto
apareceu no aquecimento: “Comecei a falar pra mim mesma que eu conseguia, que
não ia sentir dor nenhuma. Na prova me senti super bem.”
O caminho até o lugar mais alto do pódio dos jogos estudantis nasceu em 2022, quando ela ainda estudava na E.E. Paraisense e foi incentivada pelo professor de Educação Física Murilo Pessoni a disputar as seletivas do JEMG nos 80m e 150m. Chegou à estadual e não avançou — mas ficou a fagulha. Em 2023, já sob orientação do treinador Antônio Cesar Leandro, veio a guinada: troca da velocidade pela resistência e foco nos 800 m. Os tempos começaram a cair. Em Bragança Paulista, nos Jogos Abertos de São Paulo, fez 2min29s e foi prata nos 800 m; nos 1.500 m, estreou e venceu com 5min16s. No estadual do JEMG, correu para 2min30s — abaixo do recorde pessoal, mas suficiente para ser campeã mineira e carimbar o passaporte para o Brasileiro. No 4x100, subiu ao pódio com a prata pela equipe de São Sebastião do Paraíso, ao lado de companheiras Marcela Aparecida Lima, Giovana Oliveira e Maria Fernanda de Souza.
Da seletiva ao ouro
Samira
mudou de módulo (do I para o II em 2024) e manteve a consistência: ouro na
regional, ouro nos 800 m e prata no 4x100 na estadual. Na decisão em
Uberlândia, a cena foi de cinema: vitória, joelhos no chão, agradecimento e o
abraço no ex-professor que a apresentou ao atletismo. A recepção em casa veio
com carreata puxada por pais e amigos; o carro da mãe enfeitado de bexigas
trazia o recado em letras grandes: “SAMIRA CAMPEÃ MINEIRA” e “PARTIU
BRASILEIRO”. Do outro lado da linha, o técnico reforçou a atitude: “Você vai colocar
na pista até o que você não tem — ou acha que não tem.” Samira comprou a ideia.
A
rotina hoje é de atleta grande: quatro treinos por semana no Campão, sessões de
cerca de 2h30, e funcional duas vezes por semana na academia, tudo isso
enquanto estuda em período integral. “É difícil conciliar. A gente viaja, perde
matéria, depois precisa repor nas aulas vagas e no fim de semana.” O grupo tem
sete atletas e treina em um projeto articulado pelo treinador com apoio da
Fetramov. “A Fetramov nos patrocina, mas precisamos de mais apoio. Atletismo
nem sempre recebe a atenção que merece; estamos começando e faltam recursos
para competir em nível maior e lidar com lesões.”
Rumo ao Brasileiro
Se tem algo que amadureceu junto com os tempos, foi a cabeça. “Minha maior dificuldade é trabalhar o pensamento. Pra ser atleta precisa ter uma mentalidade muito forte. Hoje eu lido melhor com isso: foco no treino e executo.” Sobre o nacional, que acontece em setembro, o recado é direto: “Confio que vou executar a prova muito bem. Vou aproveitar cada momento.” E já desenha a próxima curva: “Quando eu voltar, vou continuar treinando. Ano que vem quero estar fortíssima.” No horizonte, além do Brasileiro escolar, aparece o Troféu Brasil e a vontade de seguir carreira. “Não sei ainda como vou conciliar com a faculdade, mas sei que é possível ter um futuro no atletismo, sim”, conclui a jovem medalhista.