Projeto de lei combate descarte irregular de lixo e entulho em Paraíso

A Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso recebeu, na sessão de segunda-feira, 25, o Projeto de Lei nº 5759, de autoria do vereador Juliano Reis (Biju), que trata do descarte irregular de resíduos sólidos e entulhos em vias e logradouros públicos
Acúmulo de lixo em canteiro central no bairro Mocoquinha Foto: Divulgação

Pelo texto, fica proibido ao cidadão ou empresa lançar, depositar ou abandonar lixo em locais como canteiros, praças, rotatórias, terrenos baldios e áreas públicas não destinadas à coleta regular, além de colocar resíduos fora dos horários estabelecidos para coleta. O descumprimento sujeitará o infrator a multas progressivas: cinco VRMs (Valor de Referência do Município) na primeira infração, dez em caso de reincidência e até vinte VRMs para reincidência grave, quando houver descarte de entulho, resíduos volumosos ou materiais perigosos.

O VRM é uma “unidade padrão” criada pela Prefeitura para calcular multas, taxas e algumas cobranças locais. Em vez de fixar valores em reais (que ficam defasados com o tempo), a lei vincula a penalidade a um múltiplo do VRM. Assim, quando o VRM é atualizado anualmente por decreto do Executivo, as multas também sobem automaticamente, sem precisar de uma nova lei. Atualmente, cada VRM de Paraíso equivale a R$ 255,23.

A proposta também prevê fiscalização ampliada, com uso de câmeras de videomonitoramento, instalação de placas indicativas em pontos reincidentes, atuação de fiscais ambientais e da Guarda Municipal, além da obrigação de o infrator retirar imediatamente o lixo descartado e restaurar o local. Outra novidade é a possibilidade de aplicação de serviços comunitários de limpeza em áreas públicas.

Além do caráter punitivo, o projeto autoriza a Prefeitura a instalar lixeiras suspensas em praças e canteiros e a criar ecopontos oficiais para descarte de lixo volumoso e entulho. Os recursos arrecadados com multas serão destinados à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, para custear campanhas educativas, fiscalização e manutenção desses espaços.

Na justificativa, Juliano Reis destacou que o projeto busca modernizar e tornar efetiva a legislação municipal, considerada defasada e pouco eficaz. “Apesar das normas em vigor desde 2010 e 2014, o abandono de lixo em locais inapropriados continua sendo uma realidade, trazendo consequências como proliferação de insetos e animais, mau cheiro, contaminação do ambiente, obstrução da paisagem urbana e desvalorização das áreas públicas”, afirmou.

Segundo o vereador, as penalidades atuais são brandas e não causam efeito pedagógico. “A atualização com multas progressivas vinculadas ao VRM garante proporcionalidade e atualização automática. Ao mesmo tempo, oferecemos alternativas práticas à população, como ecopontos e lixeiras suspensas, criando um equilíbrio entre sanção e incentivo ao descarte correto”, argumentou.

O projeto foi aprovado como objeto de deliberação, o que significa que será distribuído para as comissões permanentes da Câmara, responsáveis por analisar constitucionalidade, legalidade e mérito. Após receber pareceres, voltará ao plenário para discussão e votação definitiva. Se aprovado, seguirá para sanção do Executivo.

Para Biju, a medida é “uma ação revolucionária para a limpeza urbana de Paraíso, trazendo modernidade, efetividade e equilíbrio entre punição e conscientização”, concluiu.