Está começando mais uma temporada da F1
F1 tem a volta do Grupo Globo nas transmissões, 11 equipes, 22 pilotos, entre eles o brasileiro Gabriel Bortoleto na Audi
Escrevo esta coluna acompanhando
o primeiro treino livre para o GP da Austrália e fazendo contas. É a minha 49ª
temporada de F1. Tudo começou em 1978. Aqui no JORNAL DO SUDOESTE é a 26ª
temporada com colunas semanais ininterruptas desde 2001. Por este bissemanário
já tive a oportunidade de cobrir seis Grandes Prêmios em Interlagos como
jornalista, fora as dezenas de vezes dos tempos de arquibancada. Não tenho a
conta exata de quantas corridas já assisti nesses 49 anos, mas sei dizer que
pode contar nos dedos as que perdi por algum motivo de força maior. É uma vida,
uma história por trás de uma paixão que move sobre rodas.
Também perdi a contagem de
quantas colunas escrevi, mas numa conta rápida, já passaram de 1.300 textos
sobre F1, só aqui.
A temporada começa pra valer
nesta madrugada de sexta-feira com a classificação para o Grande Prêmio da
Austrália às 2h. A largada para a primeira de 24 corridas previstas, está
marcada para a 1h desta madrugada de sábado para domingo pelo horário de
Brasília. Serão 15h de domingo em Melbourne. Por enquanto os conflitos no
Oriente Médio, embora tenham causado transtorno no deslocamento de
profissionais para a Oceania, não impedem a realização dos próximos eventos,
embora neste momento, corrida de F1 seja o menos importante diante de mais uma
lamentável guerra que se instala. O desenrolar do campeonato a partir do
próximo mês é que a F1 aguarda com cautela já que em abril estão programados os
GPs do Bahrein e da Arábia Saudita. Se forem cumpridas todas as etapas, teremos
pela frente 24 circuitos, 1.526 voltas, 25.929 curvas, 7.936 km de corridas e
aproximadamente 131.075 trocas de marchas(!) números fascinantes fornecidos
pela F1.
O que o torcedor começa a
assistir a partir de agora é uma F1 totalmente diferente de tudo que já viu.
Não me lembro de ter debruçado sobre um regulamento para tentar entender tudo o
que foi colocado em prática com a tal introdução de potência dos motores que
passaram a ser 50% a combustão e 50% da parte elétrica como agora. Essa
potência triplicada da parte elétrica será o grande desafio para pilotos e
equipes, e um dos termos que mais deverá ser usado na temporada será
“gerenciamento de energia”. Tudo bem que para quem gosta apenas de assistir às
corridas sem se envolver com os termos técnicos, talvez nem perceba as
mudanças. Mas quem gosta de acompanhar tudo nos detalhes, será visível as
mudanças. Como os pilotos vão administrar o gerenciamento da energia vinda da
parte elétrica, será uma técnica que vamos conhecer ao longo do campeonato. Os
mais inteligentes devem se sobressair, embora seja estranho dizer que haja
pilotos de F1 que não gozem de elevada capacidade de QI. E por conta dessa
novidade, em que muitas vezes será preciso ‘andar devagar’ para recarregar a
bateria para usar a potência na volta seguinte, e administrá-la para não ficar
sem durante a volta, gerou a reclamação de muitos pilotos, entre eles Max
Verstappen que disse que “isso não é F1”, que mais parece com uma Fórmula E
turbinada; ou Lewis Hamilton que classificou o regulamento de muito complexo e
que os fãs não vão entender.
Eu concordo que essa questão do
motor poderia ser menos complexa. Realmente é um exagero dividir a potência em
50% para cada lado em um carro de F1. Mas por outro lado, ninguém nega que os
carros ficaram mais divertidos de dirigir. Eles estão mais curtos, mais
estreitos e 30 kg mais leves, o que significa que estarão mais rápidos em reta,
e com menos pressão aerodinâmica vão escorregar mais nas curvas já que os pneus
também ficaram mais estreitos.
De um modo geral, me agradou o
design dos carros, mais bonitos que os do ano passado, e o barulho do motor
ganhou mais vida aos ouvidos de quem aprecia. O mais importante foi a afirmação
do CEO da F1, Stefano Domenicali, de que a categoria está aberta a possíveis mudanças
de emergência caso seja necessário para não perder qualidade do show,
principalmente no que diz respeito à questão do gerenciamento de energia.
Agora são 11 equipes e 22 pilotos
no grid com a entrada da Cadillac. Arvid Lindblad, estreante de 18 anos, e
Fernando Alonso, 44 anos, mesclam juventude e experiência no grid.
Este será o 40º Grande Prêmio da
Austrália, o 29º em Melbourne, no Albert Park com seus 5.278 metros de
extensão. Serão 58 voltas. Ano passado, debaixo de chuva, Lando Norris fez a pole
position e venceu a prova, seguido por Verstappen e George Russell. Boa
temporada a todos!

