Entidades do agro manifestam preocupação com proposta de mudança na escala de trabalho
A
discussão nacional sobre a possível extinção da escala de trabalho 6 por
1 — seis dias de trabalho para um de descanso — tem mobilizado diferentes
setores da economia. No agronegócio, entidades representativas como a Federação
da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e
a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestaram
preocupação com os impactos que a alteração da jornada pode trazer para o setor
rural.
De
acordo com a Faemg, a proposta de substituição da escala 6x1 por modelos
como 5x2 ou redução da jornada semanal precisa ser analisada com
cautela e com base em estudos técnicos. A entidade avalia que mudanças abruptas
na legislação trabalhista podem elevar significativamente os custos de produção
no campo, especialmente em atividades intensivas em mão de obra, como a
cafeicultura, a produção de leite e o cultivo de hortifrutigranjeiros.
A
federação mineira destaca que, caso ocorra redução da jornada semanal sem
mecanismos de compensação, poderá haver aumento do custo da hora trabalhada,
com reflexos diretos sobre a competitividade do agronegócio. Outro ponto
levantado é o risco de redução de postos de trabalho formais no meio rural,
sobretudo em pequenas e médias propriedades.
Posição
semelhante foi manifestada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). A
entidade nacional ressalta que o setor agropecuário possui características
próprias de funcionamento, muitas vezes vinculadas ao ciclo natural das
atividades produtivas, às condições climáticas e à necessidade de manejo
contínuo de lavouras e rebanhos. Nesse contexto, mudanças rígidas na jornada de
trabalho poderiam dificultar a organização das atividades no campo.
A
confederação defende que qualquer alteração na legislação trabalhista seja
precedida de amplo debate com os diversos segmentos da economia e considere as
especificidades da produção rural. Para a entidade, é fundamental buscar
soluções que conciliem a melhoria das condições de trabalho com a manutenção da
competitividade e da geração de empregos no agronegócio brasileiro.
O
tema segue em discussão no Congresso Nacional do Brasil, onde
parlamentares analisam propostas que tratam da redução da jornada semanal e da
revisão de modelos tradicionais de escala de trabalho no país.
Enquanto o debate avança, entidades do setor produtivo acompanham as discussões e defendem que eventuais mudanças sejam feitas de forma gradual e tecnicamente fundamentada.




