Cinco histórias das três primeiras corridas do ano
A F1 está em recesso devido ao cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e aqui estão algumas histórias interessantes das três etapas disputadas
COINCIDÊNCIAS DE ANTONELLI COM SENNA
Kimi Antonelli foi tema da coluna
passada ao se tornar o mais jovem piloto a conquistar uma pole position na F1 e
a liderar o Mundial de Pilotos com apenas 19 anos. Ele é também o primeiro
italiano em 73 anos a vencer duas corridas seguidas na F1. Mas além desses
recordes de precocidade, e tabu quebrado, há uma grande coincidência no segundo
ano de sua carreira com o que Ayrton Senna também viveu no ano seguinte à sua
estreia. Ambos conquistaram sua primeira pole position e vitória na segunda
corrida da segunda temporada na F1 - Senna em Portugal em 1985 e Antonelli na
China em 2026. Na ocasião, eles fizeram também o chamado hat-trick, pole,
vitória e volta mais rápida. Ambos correram com o número 12 em seus carros
(Senna na Lotus, Antonelli na Mercedes, em homenagem ao próprio Ayrton, seu
ídolo). Senna foi declarado morto em Bolonha após o acidente de Ímola em 1994,
terra natal de Antonelli em 2006. Mas as coincidências param por aí. Somente
isso e nada mais. De acrescentar que Antonelli é um grande piloto e a aposta de
Toto Wolff no ano passado para ser o substituto de Lewis Hamilton, foi
certeira.
IRRITAÇÃO E MAU COMEÇO DE MAX VERSTAPPEN
Pela primeira vez desde 2018 que
Max Verstappen termina as três primeiras corridas do ano fora do pódio. Seu
melhor resultado até aqui foi o 6º lugar na abertura do campeonato, na
Austrália. Na China ficou fora dos pontos na sprint e na corrida do domingo. E
no Japão remou muito para terminar em 8º. Curiosamente, em três corridas ele
largou duas vezes atrás do novo companheiro de Red Bull, Isack Hadjar. É uma
quantidade maior do que em todas as temporadas de 2024, quando largou duas
vezes atrás de Sergio Perez, e do ano passado em que fez 24 a 0 em
Lawson/Tsunoda. No Japão teve a infelicidade de expulsar um jornalista inglês
da coletiva de imprensa por alegar que o repórter do The Guardian lhe faltou
com respeito ao fazer-lhe uma pergunta após a última corrida do ano passado.
Mas a bronca de Verstappen é mesmo com o novo regulamento da F1, algo que ele
já vinha criticando desde quando testou no simulador em 2023 com as
configurações que seriam adotadas para este ano com o gerenciamento de energia
do motor elétrico que passou a ter a mesma porcentagem de potência que o motor
a combustão interna (50 a 50%). O tetracampeão falou pelos quatro cantos que
isso não é F1, e no Japão disse que está analisando a possibilidade de deixar a
F1 por pura insatisfação, não com os problemas da Red Bull, mas com o
regulamento.
O DRAMA DE PIASTRI NAS DUAS PRIMEIRAS ETAPAS
Pode-se dizer que o campeonato
para Oscar Piastri começou de fato no Grande Prêmio do Japão, quando largou
pela primeira vez no ano e terminou a prova num bom 2º lugar e sendo categórico
de que poderia ter vencido a prova não fosse a intervenção de um Safety Car
quando liderava a corrida. O bom desempenho foi uma lufada de ar fresco para o
australiano que viveu um drama em casa quando escapou da pista e bateu forte,
destruindo o carro na volta de alinhamento a caminho do grid de largada. Na
corrida seguinte, em Xangai, os dois carros da McLaren não puderam largar por
conta de uma falha técnica que afetou ambos minutos antes de irem para o grid
de largada.
ACIDENTE DE OLIVER BEARMAN
Oliver Bearman faz uma temporada
promissora com a Haas tendo pontuado bem nas duas primeiras corridas do ano.
Foi 7º na Austrália, 8º na sprint em Xangai, e brilhante na corrida do domingo
terminando em 5º. Em Suzuka a Haas enfrentou problemas durante a classificação
e a jovem estrela largou da 17ª posição e sofreu um grave acidente ao encontrar
Franco Colapinto 50 km/h mais lento, tendo que sair pela grama e bater com um
impacto de 50G. Por sorte não se feriu com gravidade, apenas uma contusão no
joelho. Mas foi o acidente que já vinha sendo anunciado pelos pilotos por conta
da diferença de velocidade com que os carros estão se encontrando em diferentes
pontos da pista devido à regeneração de energia das baterias, algo que a F1 vai
tratar neste intervalo para melhorar a segurança.
SAÍDA REPENTINA DE JONATHAN WHEATLEY
A F1 foi surpreendida no intervalo
entre os Grandes Prêmios da China e do Japão com a saída repentina de Jonathan
Wheatley do comando da Audi antes mesmo de completar um ano, quando foi
contratado para organizar a equipe em seu ano de estreia na F1. No comunicado
da Audi, a alegação era por questões pessoais. Nos bastidores, fala-se em
conflito com Mattia Binotto, que também tem cargo de chefe de operações da
equipe. Tudo indica que o destino de Wheatley seja a Aston Martin, que vive
nesse momento a condição de pior equipe da temporada. Se confirmar, ele voltará
a trabalhar com Adrian Newey, de quem foi braço direito por 20 anos nos tempos
de Red Bull.

