Câmara debate falta de mão de obra em Paraíso

Discussão começou após leitura de ofício da ACISP-CDL sobre o 4º Feirão de Empregos, marcado para 30 de maio
Foto: Ilustrativa

A leitura de um ofício encaminhado pela ACISSP-CDL à Câmara Municipal, na sessão de segunda-feira, 11, abriu espaço para um debate entre vereadores sobre emprego, falta de mão de obra, política salarial, qualificação profissional e dificuldades enfrentadas por empresas em São Sebastião do Paraíso. O documento solicita apoio do Legislativo na divulgação do 4º Feirão de Empregos da entidade, que será realizado no dia 30 de maio.

No ofício, assinado pelo presidente da ACISSP-CDL, Matheus Colombaroli, a entidade informa que o objetivo do feirão é reunir, em um único local, empresas com vagas abertas e cidadãos em busca de uma nova oportunidade de trabalho. Durante o evento, os trabalhadores poderão entregar currículos, enquanto os contratantes terão a possibilidade de realizar uma pré-seleção dos candidatos que passarem pelo local.

O vereador Luiz Benedito de Paula destacou a importância do feirão e afirmou que acompanha a iniciativa desde as primeiras edições. Ele disse que o cenário atual é diferente do registrado em anos anteriores, quando havia grande número de candidatos para poucas vagas. “Antigamente havia, por exemplo, dez vagas e apareciam 100 candidatos. Havia recrutamento, seleção, e ainda sobravam pessoas. Agora é o contrário. No último feirão em que estive, havia 220 vagas e pouco mais de 100 pessoas participaram”, afirma.

Segundo Luiz de Paula, empresas já instaladas no município enfrentam dificuldades para preencher postos de trabalho. Ele citou como exemplo de um supermercado que estaria em processo de contratação para uma nova unidade em São Sebastião do Paraíso. Para o vereador, antes de cobrar a chegada de novas empresas, é preciso observar que parte das empresas que já atuam na cidade não consegue encontrar profissionais para as vagas disponíveis.

O vereador Marcos Antônio Vitorino, o Marcão da Ambulância, afirmou que recebeu em seu gabinete a gerente regional de uma rede de supermercado. Segundo ele, a inauguração de uma nova unidade da rede no município, prevista para maio, foi adiada em razão da dificuldade para contratar colaboradores.

Marcão também defendeu que o município discuta formas de tornar o mercado local mais atrativo, especialmente para evitar a saída de jovens em busca de oportunidades em outras cidades. “Precisamos discutir essa política salarial para manter as pessoas em Paraíso. Às vezes o jovem sai do Tiro de Guerra e vai embora, porque quer outras oportunidades, estudar e trabalhar fora, onde há ganho maior”, destaca.

O vereador parabenizou a vereadora Laís Carvalho por uma articulação junto a uma rede de supermercado para aproximar moradores do distrito de Guardinha das vagas oferecidas pela empresa.

Laís Carvalho afirmou que a realidade do mercado de trabalho mudou. Para ela, não basta atribuir a dificuldade de contratação à falta de interesse dos trabalhadores. Laís defendeu que as empresas também precisam rever salários, benefícios e formas de valorização profissional. “Se as empresas não tiverem hoje a consciência de adequação em política salarial e benefício salarial, qualquer trabalhador que for para a contratação do salário mínimo vai preferir trabalhar de autônomo”, afirma.

Ela citou como exemplo trabalhadores que fazem faxinas e conseguem, com poucos dias de serviço por semana, rendimento superior ao de um emprego registrado em algumas funções.

Laís também criticou avaliações de que a falta de mão de obra estaria ligada apenas ao recebimento de benefícios sociais. Para ela, os valores pagos por programas de auxílio não são suficientes para sustentar uma família.

O vereador Tomás Martins afirmou que concorda com as ponderações sobre a necessidade de valorização dos trabalhadores, mas defendeu que o debate também considere as dificuldades enfrentadas pelos empresários. Segundo ele, a carga tributária e os encargos trabalhistas também impactam a capacidade das empresas de oferecer salários mais altos. “Temos que ter uma revisão, sim, da valorização do funcionário, mas também uma revisão da carga tributária, porque do jeito que está indo, as empresas estão indo embora do Brasil”, afirma.

Tomás disse que alguns setores, como redes de supermercados, exigem jornadas intensas e nem sempre oferecem remuneração considerada atrativa. No entanto, segundo ele, o custo para manter funcionários registrados também pesa sobre o empregador. “É preciso olhar os dois lados. Talvez isso influencie diretamente na remuneração do funcionário, porque, do jeito que está, o patrão também não consegue pagar melhor esses trabalhadores”, ressalta.

A vereadora Cidinha Cerize defendeu que a discussão leve em conta os dois lados da relação entre empresas e trabalhadores. A vereadora afirmou que o tema é sensível e envolve pontos como reforma fiscal, informalidade, compromisso profissional e custo de contra-tação. “Se essa reforma fiscal não for revista, fica impossível pensar em melhoria de salário. O encargo que o empresário paga é muito alto para manter um funcionário”, afirma.

Cidinha ponderou que pode parecer mais vantajoso em alguns casos, mas não oferece garantias como aposentadoria, férias e 13º salário. “Ser CLT não é fácil. Tem que bater ponto, cumprir carga horária. Mas quem está na informalidade também não recolhe aposentadoria, não tem férias, não tem 13º. Se não trabalhar, não recebe”, pontua.

O presidente Lisandro José Monteiro,  falou a partir de sua experiência como empresário do ramo de açougue. Ele afirmou que enfrenta dificuldades para contratar e manter funcionários, especialmente em funções que exigem trabalho aos fins de semana e feriados.

Disse que profissões como açougueiro, padeiro e pedreiro passaram a ser mais valorizadas, mas que ainda enfrentam resistência entre os mais jovens. Segundo ele, há trabalhadores que preferem ganhar menos em funções com jornada de segunda a sexta-feira do que manter empregos com maior remuneração, mas que exigem expediente aos sábados, domingos ou feriados.

Lisandro também defendeu mudanças nas regras relacionadas ao recebimento de auxílios sociais. Segundo ele, trabalhadores que recebem benefício deveriam poder manter o auxílio mesmo com registro formal, como forma de incentivar a entrada no mercado de trabalho. “Sou a favor de receber auxílio, mas deixa trabalhar também. Pode registrar, ganha o auxílio e trabalha. Tenho certeza que vai aumentar o número de pessoas querendo emprego”, destaca.

“O governo está arrebentando com os empresários. Os impostos estão enormes. O município também precisa rever formas de incentivar quem está aqui, quem compra aqui, quem paga imposto aqui e mantém o dinheiro girando em São Sebastião do Paraíso”, afirma.

Ao final do debate, os vereadores defenderam que o tema continue sendo discutido pelo Legislativo, pelo setor empresarial e pela sociedade.