Antonelli deixa de ser promessa e vira favorito

De coadjuvante a favorito: Antonelli abre 43 pontos de vantagem sobre George Russell na liderança do campeonato da F1 após cinco corridas
Foto: Divulgação
Felix Rosenqvist ultrapassa David Malukas e vence por apenas 23 milésimos de segundo de vantagem na chegada mais apertada das 500 Milhas de Indianápolis

No degrau mais alto do pódio de Montreal, ladeado por dois multicampeões, Lewis Hamilton e Max Verstappen, estava o impetuoso Kimi Antonelli, vencedor do Grande Prêmio do Canadá. O italiano de 19 anos, vem a cada corrida, colocando um asterisco ao lado de seu nome nas estatísticas da F1. Desta vez, ele se tornou o único piloto da história da categoria a conquistar as quatro primeiras vitórias da carreira de forma consecutiva. Um feito inédito nos 76 anos de existência da F1.

Foi uma vitória construída em uma disputa eletrizante com o companheiro de equipe, George Russell, daquelas de prender a respiração até que uma falha mecânica no carro da Mercedes obrigou Russell a abandonar a prova. Com a vitória, Antonelli ampliou a sua liderança para 131 pontos, contra 88 de Russell e 75 de Charles Leclerc, da Ferrari, que terminou a prova na 4ª colocação.

O clima na Mercedes começou a esquentar na corrida Sprint, vencida por George Russell, depois de uma disputa pela liderança que deixou Antonelli bastante furioso, a ponto de levar um puxão de orelha do chefe da equipe, Toto Wolff, pelo rádio: “vamos discutir isso internamente, não pelo rádio”.

Os dois foram os grandes protagonistas do GP do Canadá, tanto na corrida curta quanto na principal. No meu caderno de anotações fiz a seguinte observação: “corrida selvagem dos dois!”

Mas a história da quinta etapa do Mundial não se resumiu a Antonelli e Russell. No terço final da prova, outra disputa de gigantes fez também prender a respiração: Max Verstappen e Lewis Hamilton pela segunda colocação. O primeiro voltou a colocar em xeque sua permanência na F1 caso a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), não implante a mudança anunciada na divisão de potência dos motores - 60% para o motor a combustão e 40% para o elétrico -, que vem sendo rejeitada por alguns fabricantes de motores. O segundo vivia seu melhor fim de semana desde que chegou à Ferrari no ano passado. Hamilton levou a melhor na disputa e terminou em 2º, conquistando seu melhor resultado com a equipe italiana em corrida principal - Lewis havia vencido a Sprint da China no ano passado, resultado que não entra para as estatísticas oficiais da F1. Foi o 204º pódio de sua carreira na categoria, onze deles conquistados no Canadá.

A disputa com Verstappen também serviu como resposta aos rumores de que Hamilton anunciaria sua aposentadoria em Silverstone. O heptacampeão tratou de desmentir os boatos: “pretendo ficar na F1 por pelo menos mais cinco anos”.

Mesmo insatisfeito com o atual regulamento da categoria, Verstappen foi combativo e conquistou o seu primeiro pódio da temporada com a Red Bull.

Outro destaque da corrida foi o 6º lugar do argentino Franco Colapinto que passou a entender melhor o comportamento do carro da Alpine desde o Grande Prêmio de Miami, e vem superando desde então o competitivo companheiro de equipe, Pierre Gasly.

A McLaren cometeu erro crasso ao colocar pneus intermediários nos carros de Lando Norris e Oscar Piastri, em um asfalto cujas condições indicavam pneus de pista seca. Sete pilotos apostaram nessa estratégia, entre eles o brasileiro Gabriel Bortoleto que terminou apenas na 13ª posição com o carro da Audi que sofre de um problema crônico no sistema de largada que frequentemente o faz perder várias posições.

O último domingo (24), reservou duas grandes corridas para os fãs de automobilismo. Enquanto era dada a largada para o Grande Prêmio do Canadá, uma chegada eletrizante nas 500 Milhas de Indianápolis acontecia simultaneamente. O sueco Felix Rosenqvist venceu por apenas 23 milésimos de segundo sobre David Malukas, na chegada mais apertada da história da prova.

Já a britânica Katherine Legge - tema desta coluna na semana passada -, não conseguiu completar o desafio das 1.100 milhas (1,769 km) que combinam as 500 Milhas de Indianápolis e a Coca-Cola 600, em Charlotte, após se envolver em acidente logo no começo da primeira