Uma família com boas histórias pra contar
Irmãos enxadristas têm conseguido excelentes resultados nos tabuleiros através do incentivo dos pais
O Xadrez
entrou na vida dos irmãos Pedro Pires Oliveira e Miguel Pires Oliveira de forma
natural, pela curiosidade dos dois jovens em conhecer mais o esporte da mente.
Aos poucos, o Xadrez passou a fazer parte da rotina da família da
psicóloga/psicanalista Flaviana Pires Oliveira e do Dr. Anderson Alves
Oliveira, não apenas como desafio intelectual, mas também como diversão,
convivência salutar e oportunidade de desenvolvimento emocional e cognitivo.
Nesta entrevista, Flaviana conta como ela e o esposo acompanham a evolução dos
filhos na modalidade.
Como Pedro e Miguel tiveram o primeiro
contato com o Xadrez e em que momento vocês perceberam que eles tinham talento
para este esporte da mente?
A porta
de entrada do Miguel no Xadrez foi por meio de um colega da escola que jogou a
modalidade no JEMG. A partir daí Miguel se interessou pelo esporte, pesquisamos
o Clube via internet e desde então ele começou a frequentar. Importante
ressaltar que sempre fomos muito bem recebidos.
Já Pedro
foi observando a movimentação do irmão em ir e vir do Clube. Miguel de início
gostou muito, começou a ensinar o irmão a jogar então ele pediu para conhecer,
o levamos também e agora são os dois que frequentam e jogam.
O que o Xadrez representa hoje na rotina
da família: um desafio intelectual, uma diversão... ou algo mais?
Podemos
dizer que o Xadrez tem várias simbolizações, dentre elas a diversão e também um
mecanismo que possibilita a fuga do massivo ambiente digital da atualidade. Não
há imposição para que as crianças joguem, isso ocorre de maneira espontânea e
existe um apreço pelo jogar, de fato eles gostam mesmo.
Os dois
têm estilos diferentes enquanto jogadores, um é mais concentrado e outro é mais
competitivo, vieses de personalidade. Cada um tem o comprometimento a seu modo
com as tarefas que são repassadas pelo professor Mestre Gérson.
Miguel e Pedro já conquistaram
resultados expressivos em competições. Como vocês, como pais, lidam com essa
evolução precoce sem tirar deles a leveza da infância e juventude?
Como
pais só podemos estar muito felizes com a evolução de ambos. O Xadrez é um jogo
que requer muito treinamento e concentração, considerando que eles não treinam
há tanto tempo, todavia ainda assim, já conseguem disputar com outros jogadores
mais experientes. Quando os levamos aos campeonatos, tratamos de uma forma mais
lúdica e sem obrigação da vitória, no entanto os aconselhamos a dar o melhor de
si quais sejam: concentração total, foco, determinação e o desejo por vencer.
Flaviana, como psicóloga, de que forma
você enxerga a contribuição do xadrez para o desenvolvimento emocional e
cognitivo?
Como mãe
e psicóloga/psicanalista, sou uma incentivadora deste esporte da mente. O
Xadrez é um exercício para o cérebro que desenvolve habilidades sociais e
cognitivas e certamente o raciocínio lógico, a concentração, o pensamento
estratégico, a memória e a tomada rápida de decisões sob pressão. Como
psicanalista vou trazer aqui uma curiosidade: Sig-mund Freud, criador da
Psicanálise, em um dos seus célebres textos, que se chama: SOBRE O INÍCIO DE
TRATAMENTO, nos apresenta o xadrez como um nobre jogo. Assim Freud diz: “Quem
quiser aprender o nobre jogo de xadrez a partir de livros logo irá se dar conta
de que apenas as jogadas de abertura e as jogadas finais permitem uma
representação exaustiva, enquanto a enorme variedade das jogadas que começam a
partir da abertura acaba frustrando tal representação.” Desta maneira pode-se
pensar que o Xadrez ultrapassa os limites de um simples jogo e nos revela a
importante interface múltipla de aplicações técnicas e práticas para o
cotidiano nas mais diversas áreas.
Qual a importância do Clube de Xadrez de
São Sebastião do Paraíso na trajetória do Pedro e do Miguel, tanto nos
treinamentos quanto nas competições e na convivência com outros enxadristas?
O Clube
de Xadrez é de suma importância na trajetória de aprendizado de Miguel e Pedro.
Foi através do Clube e do incentivo dos professores, que ocorreu a evolução
deles. Devemos também salientar o excelente ambiente de convívio, aprendizado e
respeito que impera no clube nos mais diversos segmentos etários propiciando
assim uma formação de laços de amizades/afetivos.
Os
meninos não perdem um blitz aos sábados e saem de lá com muitas histórias para
contar. E não é isso que importa? Boas histórias para contar.
Flaviana, você e o Dr. Anderson sabem
jogar Xadrez ou preferem ficar mais na logística, nos bastidores apoiando os
filhos?
Não temos o dom/aptidão para este jogo, ficamos assim responsáveis pelo suporte e pela logística em prol das crianças. Durante a realização dos torneios dos quais eles participam nos fazemos presentes organizando lanches, balas e muito afeto entre as partidas e por fim ainda aproveitamos para conhecer novos lugares, o que acaba se convertendo em uma diversão em família.

