Região mobiliza forças e reforça pressão pela Cota 762 do Lago de Furnas
Municípios, entidades e lideranças defendem solução definitiva para garantir o nível mínimo do reservatório e preservar a economia do Mar de Minas
Se depender dos municípios, entidades
e lideranças que atuam em defesa do Lago de Furnas, a Cota 762 é prioridade e
precisa de uma solução definitiva. Esse foi o principal recado deixado durante
o Fórum Regional em Defesa do Lago de Furnas, realizado na sexta-feira (7), em
Formiga, no Ramada Furnas Park Resort. O encontro reuniu representantes
municipais, estaduais e federais, pesquisadores, entidades de classe e
organizações ligadas à defesa do reservatório para discutir os impactos
econômicos, ambientais, sociais e jurídicos provocados pelas oscilações do
nível da água.
Entre as instituições presentes
estiveram a OAB Subseção Formiga, UneLagos, Alago, Associação Mineira de
Municípios (AMM) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Também
participaram os advogados Adelson Barbosa Damasceno e Thiago Amaral Carvalho
Cunha, em um debate que reforçou a necessidade de unir conhecimento técnico,
mobilização política e segurança jurídica.
A Alago, entidade que há 33 anos
atua na defesa dos municípios do entorno do Lago de Furnas, teve participação
destacada nas discussões. Para o secretário executivo Fausto Costa, a Cota 762
e a revisão da outorga estão entre as prioridades da entidade.
“A região não abre mão da Cota
762. É uma questão que envolve o desenvolvimento dos municípios, o turismo, a
produção, o meio ambiente e a própria segurança hídrica. Precisamos avançar na
construção de uma solução que considere os múltiplos usos do Lago de Furnas”,
afirmou Fausto Costa.
UM PROBLEMA QUE ULTRAPASSA OS
MUNICÍPIOS
Presidente da UneLagos, Thadeu
Alencar – que também falou em nome da Alago, apresentou um trabalho histórico
da redução do nível do reservatório e apontou 2012 como um marco para o
agravamento da situação. Segundo os dados apresentados, o Lago de Furnas, que
em janeiro daquele ano estava na Cota 764, com aproximadamente 70% de volume,
terminou 2012 com apenas 12,47%.
Para Thadeu, a defesa do lago não
é apenas uma pauta regional. A manutenção de níveis adequados impacta
diretamente emprego, renda, turismo, geração de energia, piscicultura,
agricultura e preservação ambiental.
“Lutar pelo Lago de Furnas é
lutar pela soberania de Minas Gerais”, resumiu.
O presidente da OAB Subseção
Formiga, Arthur Vaz Ribeiro, destacou que a discussão não pode ser limitada ao
campo jurídico. “Nem tudo é apenas jurídico. O tema envolve aspectos políticos,
científicos, econômicos e ambientais”, afirmou.
Arthur defendeu que o fórum
fortaleça a mobilização pela tramitação do Projeto de Lei 2.130/2024, além da
construção de um documento conjunto que possa ampliar a articulação política em
defesa da região.
O advogado Adelson Barbosa
Damasceno também reforçou a necessidade de união entre instituições e
sociedade. Para ele, UneLagos, Alago e AMM já vêm se organizando, mas a
mobilização precisa ganhar ainda mais força.
AMM REFORÇA DEFESA DOS 34 MUNICÍPIOS
Representando a Associação
Mineira de Municípios (AMM), o assessor técnico jurídico Thiago Ferreira
destacou que a manutenção da Cota 762 é uma necessidade vital para os 34
municípios diretamente ligados ao Lago de Furnas.
A entidade também apresentou os
principais aspectos da Emenda Constitucional Estadual nº 106/2020 e da ADI
6889, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria da
ministra Cármen Lúcia. A ação envolve a discussão sobre a constitucionalidade
do tombamento estadual dos reservatórios de Furnas e Mascarenhas de Moraes e os
limites das competências dos diferentes entes federativos na gestão das águas.
O debate também contou com a
participação de pesquisadores da UFMG e abordou a outorga dos recursos
hídricos, licenciamento ambiental, tombamento, dados técnicos e a atuação dos
órgãos responsáveis pela gestão do sistema elétrico e das águas.
A redução do espelho d’água tem
reflexos imediatos na economia regional. O turismo náutico é afetado pela
dificuldade de navegação, operação de marinas e balsas, além da perda de
atratividade turística. Na piscicultura em tanques-rede, a alteração do volume
do reservatório também traz impactos para produtores e pescadores.
Nesse cenário, o PL 2.130/2024
surge como mais uma frente de mobilização. A proposta busca reconhecer
formalmente a região turística do “Mar de Minas” como Área Especial de
Interesse Turístico (AEIT), ampliando a proteção e a visibilidade institucional
da região.
O fórum deixou, assim, uma
mensagem clara: a defesa do Lago de Furnas exige união e continuidade.
Municípios, entidades, setor produtivo, comunidade científica e lideranças
políticas querem transformar a mobilização em ações concretas — e reforçam que,
para a região, a Cota 762 continua sendo inegociável. Alago/Ascom

