Máquina em braile recuperada devolve autonomia a Verônica Le Senechal
Equipamento usado pela jovem nos estudos e no trabalho foi consertado com apoio do Rotary Club de São Sebastião do Paraíso
A jovem
paraisense Verônica Le Senechal Silva, que tem deficiência visual total,
encontrou na escrita em braile uma das principais ferramentas para conquistar
autonomia nos estudos e no trabalho. Por isso, quando sua máquina de escrever
sofreu uma queda e deixou de funcionar, o problema significou muito mais do que
a perda temporária de um equipamento: interrompeu parte importante de sua
rotina acadêmica e profissional.
A
máquina acompanha Verônica há anos. Doada ainda durante sua trajetória escolar
por Ana, conhecida como “dona Ana da Aviação”, foi carinhosamente batizada pela
jovem de “Aninha” e se tornou presença constante em sua formação.
A
história da jovem já havia sido mostrada pelo Jornal do Sudoeste em
2024, quando, aos 18 anos, ela comemorava a aprovação no ensino superior. Aluna
da rede pública, Verônica foi alfabetizada em braile ainda na infância e
enfrentou, ao lado da família, diferentes obstáculos para ter acesso a uma
educação inclusiva.
Foi
justamente nesse percurso que a “Aninha” chegou à sua vida. Na época, Verônica
contou ao JS que o equipamento trouxe mais independência para a
realização das atividades escolares.
Hoje,
Verônica cursa licenciatura em Educação Especial pela Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), escolha diretamente ligada à própria
experiência com a inclusão. Além das atividades acadêmicas, utiliza a máquina
em trabalhos de tradução de obras de arte e na produção de materiais acessíveis
destinados a crianças e adolescentes.
Com a
queda do equipamento e os danos provocados, porém, Verônica ficou impossibilitada
de utilizá-lo. O custo e a dificuldade para realizar a manutenção tornaram o
conserto um novo obstáculo em seu caminho.
Apoio para recuperar a “Aninha”
A
situação chegou ao Rotary Club de São Sebastião do Paraíso por meio de Flavia
Keller de Carvalho Lima, que apresentou aos integrantes da entidade a história
de Verônica e a importância da máquina para seus estudos, trabalho e autonomia.
Segundo
informações repassadas pelo clube, há apenas uma empresa especializada no
Brasil capacitada para realizar a manutenção desse tipo de equipamento,
localizada em São Paulo. A máquina foi enviada para avaliação e, depois da
emissão do orçamento, o Rotary autorizou e custeou o reparo.
Já
recuperada, a “Aninha” retornou a São Sebastião do Paraíso. Na noite de
terça-feira, 18, Verônica esteve na sede do Rotary Club, onde testou o
equipamento e confirmou seu funcionamento. Na oportunidade, também explicou aos
rotarianos características da escrita tátil e a importância do braile para a
promoção da acessibilidade.
Emocionada,
Verônica falou sobre o significado de ter novamente a máquina à disposição e
agradeceu pelo auxílio recebido. “Estou muito feliz, pois essa máquina
representa muito para mim, tanto para estudar quanto para trabalhar. Ela é
minha janela para o mundo. Agradeço imensamente ao Rotary por essa grande
ajuda. Sem eles, eu não teria condições de consertar minha máquina de escrever
em braile”, declarou.
O
presidente do Rotary Club de São Sebastião do Paraíso, José Ângelo Felix,
também destacou a satisfação da entidade em contribuir para que Verônica
pudesse retomar suas atividades. Segundo ele, a iniciativa está ligada ao
compromisso do clube com ações voltadas à inclusão, à autonomia e à melhoria da
qualidade de vida na comunidade.
De volta às mãos de Verônica, a máquina que a acompanha desde os tempos de escola retoma agora seu lugar na rotina da universitária. Mais do que voltar a escrever em braile, a recuperação da “Aninha” permite que ela continue estudando, trabalhando e seguindo o caminho que escolheu: transformar a própria experiência com a inclusão em instrumento para ajudar outras pessoas.

