Audiência pública expõe desafios do trânsito em Paraíso e reforça necessidade de educação e ação conjunta
A Câmara
Municipal de São Sebastião do Paraíso realizou no dia 9, audiência pública para
discutir a situação do trânsito no município, reunindo autoridades civis,
militares e representantes da sociedade. A condução dos trabalhos ficou a cargo
do vereador Marcos Antônio Vitorino, após abertura feita pelo presidente
da Casa, Lisandro Monteiro.
Logo nas
primeiras explanações, a Polícia Rodoviária Federal apresentou o conceito de
trânsito compartilhado, destacando que a principal missão é a preservação de
vidas por meio da prevenção e da mudança de comportamento. A corporação
enfatizou a necessidade de trabalhar a conscientização desde a base, com foco
em crianças e jovens, como forma de formar cidadãos mais responsáveis no
futuro.
Ainda
nesse contexto, foi apresentado o projeto Educar, iniciativa voltada à educação
no trânsito dentro das escolas, com resultados já observados em outras cidades.
Segundo os representantes, a proposta é transformar crianças em agentes de
conscientização dentro das próprias famílias.
A
Polícia Militar também reforçou a importância das ações educativas,
especialmente junto ao público infantil, e destacou alinhamento com as demais
autoridades quanto à necessidade de mudança de postura no trânsito. Durante a
apresentação, foram citados dados e indicadores que demonstram a gravidade da
situação, incluindo índices elevados, superiores a 90%, quando comparados a
municípios de porte semelhante, o que evidencia a dimensão do problema.
Na
esfera política, os vereadores apresentaram diferentes pontos de vista, mas
convergiram na avaliação de que o principal fator dos acidentes está
relacionado ao comportamento dos condutores.
O
vereador Roney Vilaça destacou dados do painel de trânsito, apontando mais
de 700 ocorrências no último ano e reforçando que cerca de 90% dos acidentes
têm como causa falhas humanas, como desatenção, uso de celular, ingestão de
álcool e desrespeito à sinalização.
O
vereador Luiz de Paula chamou atenção para o desrespeito à parada
obrigatória e a imprudência em cruzamentos, além de criticar a baixa
participação popular na audiência, apesar das constantes cobranças feitas ao
poder público.
Já o
vereador Tomás Martins trouxe relatos práticos do cotidiano, destacando o
excesso de velocidade em vias urbanas, acidentes com vítimas fatais e problemas
relacionados à poluição sonora, que impactam diretamente a qualidade de vida da
população.
A
vereadora Cidinha Cerise enfatizou os reflexos dos acidentes no sistema de
saúde, relatando a rotina de atendimentos a vítimas na UPA e cobrando dados
atualizados, planejamento e medidas mais efetivas, como fiscalização,
instalação de radares e ampliação de ações educativas.
Juliano
Carlos Reis, Biju, reforçou que o problema do trânsito está diretamente ligado
à falta de educação e consciência da população. Segundo ele, mesmo com leis e
estruturas, sem mudança de comportamento, as ações terão efeito limitado. Ele
também defendeu maior escuta de profissionais que vivem o trânsito diariamente,
como mototaxistas e motoristas de aplicativo.
O
presidente Lisandro Monteiro ressaltou a baixa participação popular na
audiência, apesar de constantes cobranças feitas à Câmara e ao Executivo.
Observou que mesmo com transmissão ao vivo pela TV Câmara o número de
espectadores era mínimo no momento da audiência. Chamou a atenção sobre a
ausência de representantes do comércio local, lembrando que o setor é
diretamente impactado por decisões relacionadas ao trânsito.
Ao fazer
uso da palavra, o prefeito Marcelo Moraes apresentou dados e fez uma
análise direta das causas dos acidentes. Segundo levantamento realizado pela
administração, 78% das ocorrências estão relacionadas à falta de atenção,
muitas vezes associada ao uso do celular ao volante.
Destacou
que grande parte dos acidentes ocorre por decisões imprudentes, como conversões
irregulares, avanço de parada obrigatória e excesso de velocidade. “O motorista
sabe o que deve fazer, mas não faz. O problema é comportamento”, afirmou.
Marcelo
Moraes também chamou atenção para o impacto financeiro dos acidentes,
informando que o município gastou cerca de R$ 3 milhões em internações
relacionadas ao trânsito no último ano, valor equivalente ao custo de uma
creche. Ele ressaltou que os gastos vão além da internação, envolvendo
cirurgias, próteses e reabilitação.
“O
trânsito é reflexo da sociedade. Não adianta cobrar só do poder público. Cada
um precisa fazer a sua parte”, pontuou.
Ao
encerrar a audiência, o vereador Marcos Antônio Vitorino destacou o caráter
inicial, mas decisivo, do encontro. Segundo ele, a reunião representa apenas o
começo de um processo contínuo de encaminhamento de soluções.
“Todas as manifestações apresentadas durante a audiência — tanto pelas pessoas presentes quanto pelas contribuições recebidas ao longo da semana, por meio das redes sociais e canais de comunicação — serão analisadas com atenção”, disse.
Participação
popular cobra medidas maisduras e baseadas em dados no trânsito
Durante
a audiência pública sobre trânsito realizada pela Câmara Municipal, uma das
manifestações que chamou atenção foi a de Camilo Silveira, que defendeu a
adoção de medidas mais efetivas e baseadas em dados para enfrentar os altos
índices de acidentes no município.
Ao
iniciar sua fala, ele reconheceu o empenho das autoridades e forças de segurança,
destacando o esforço constante diante da complexidade do problema. “Dá para
perceber que está todo mundo empenhado em melhorar o trânsito da cidade. As
forças policiais trabalham como ninguém, é quase ‘enxugar gelo’ diante do que
acontece o tempo inteiro”, afirmou.
Camilo
ponderou, no entanto, que o debate precisa avançar além da conscientização.
Para ele, confiar apenas em educação e bom senso da população não trará
resultados concretos no curto prazo. “Se as pessoas tivessem educação, cultura
e bom senso suficientes, a intervenção do poder público seria praticamente
desnecessária. Não adianta esperar que a população vá, por si só, mudar de
comportamento”, argumentou.
Em sua
avaliação, a solução passa pela adoção de políticas públicas baseadas em evidências.
“É com fatos, dados e metodologias científicas que conseguimos mudar
comportamentos”, destacou.
O
participante também chamou atenção para a baixa efetividade das penalidades
atuais. Segundo ele, quando a multa não representa impacto significativo, o
comportamento irregular tende a se repetir. “Se o cidadão acha a multa irrelevante,
ele continua fazendo o que quer. A consequência precisa ser suficientemente
aversiva para provocar mudança”, disse.
Camilo
citou números apresentados durante a audiência para reforçar a gravidade da
situação: cerca de 700 acidentes por ano, o que representa, em média, dois
registros por dia, além de mais de uma centena de ocorrências com vítimas
fatais — aproximadamente nove mortes por mês. “Se a meta é zero, como se defende
hoje, nós ainda estamos muito longe disso”, alertou.
Ele
também relativizou comparações com indicadores estaduais. “Minas Gerais já tem
índices elevados, acima da média nacional. Estar melhor que o Estado não
significa, necessariamente, que estamos bem”, observou.
Ao
aprofundar sua posição, Camilo defendeu que o enfrentamento do problema exigirá
decisões firmes, mesmo que impopulares. “A gente não quer mais que morra gente
na sociedade, então vamos ter que pagar o preço da crítica. Se é impopular dar
multa, o preço é esse. Enquanto não houver mudança de comportamento, vai custar
caro”, afirmou.
Também
defendeu o uso mais intensivo de tecnologia como ferramenta de fiscalização.
“Não vejo outra forma de fazer política pública nesse caso. Se o radar funciona,
então que se amplie o uso. Encha a cidade de radares, de câmeras. A gente não
pode esperar que apenas a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária Federal ou a
Guarda Civil deem conta de tudo. Não vão dar, e o Estado não tem recursos para
ampliar o efetivo nessa escala”, pontuou.
Ao
final, reforçou que o caminho passa por fiscalização rigorosa e medidas
concretas. “Se a solução passa por tecnologia e punições mais efetivas, então é
por aí que temos que avançar. O importante é reduzir acidentes e preservar
vidas”, concluiu.
Durante
a participação popular na audiência, um mototaxista chamou atenção para pontos
que, segundo ele, agravam os riscos de acidentes em trechos próximos à rodovia.
Destacou a situação do acesso nas ao Condomínio Cachoeira. Segundo ele, o
trecho recebeu melhorias, mas ainda carece de iluminação e sinalização, como
faixas, além de ter prejudicado a circulação de pessoas que utilizavam rotas
alternativas a pé, de bicicleta, a cavalo ou de charrete.
Outro ponto levantado foi a rotatória da Copasa, descrita como muito escura, sobretudo para pedestres e ciclistas que seguem em direção ao bairro e à região do Belvedere. Ele afirmou que a falta de visibilidade contribui para acidentes frequentes. O mototaxista reforçou antigo pedido por iluminação no trecho que vai da Conserva até o bairro Cidade Industrial, margeando a rodovia. Segundo ele, a medida seria essencial para ampliar a segurança e evitar novos atropelamentos.

