População pode virar fiscal contra descarte irregular em Paraíso

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Teve início na sessão desta segunda-feira, dia 13, na Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso, a tramitação do projeto de lei que institui o Programa de Fiscalização Colaborativa do Descarte Irregular de Resíduos. A proposta é de autoria do vereador Juliano Carlos Reis, o Biju.

De acordo com o texto, o programa pretende permitir que qualquer cidadão encaminhe denúncias sobre o descarte irregular de resíduos sólidos em vias e logradouros públicos. As manifestações deverão ser feitas por canais oficiais a serem definidos pelo Poder Executivo.

Ainda conforme o projeto, as denúncias serão analisadas pelos órgãos competentes da administração municipal, que poderão realizar diligências e, quando constatadas irregularidades, proceder à autuação dos responsáveis, nos termos da legislação vigente.

A proposta também assegura ao denunciante o direito ao sigilo de sua identidade, respeitando a legislação aplicável. Por outro lado, prevê que o envio de denúncias falsas ou comprovadamente de má-fé poderá sujeitar o autor a sanções administrativas e demais penalidades cabíveis.

No aspecto financeiro, o projeto estabelece que as despesas decorrentes da futura lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, podendo ser suplementadas, se necessário.

Ao justificar a iniciativa durante a apresentação da matéria como objeto de deliberação, o vereador Biju ressaltou que o projeto amplia os instrumentos já criados anteriormente. Segundo ele, em 2025 foi aprovada a Lei nº 5.291, também de sua autoria, que estabeleceu normas e penalidades para o descarte irregular, já considerando o uso de mecanismos como redes sociais para dar mais efetividade à fiscalização.

"Mas acredito que, depois que criamos esses mecanismos, se instituirmos uma fiscalização colaborativa, vamos ganhar mais eficácia. É colocar as pessoas para serem, de certo modo, agentes na cidade e nos ajudarem com essa fiscalização", afirmou.

O parlamentar destacou ainda que o engajamento da população tende a ocorrer de forma natural, uma vez que ninguém deseja conviver com áreas degradadas próximas de suas residências. "Ninguém vai gostar de ter ao lado da sua casa um terreno sem manutenção e ver alguém descartando lixo de forma irregular, sendo que o município dispõe, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, de locais adequados para todos os tipos de resíduos", pontuou.

Biju também chamou atenção para a prática recorrente de descarte em bairros em processo de urbanização, com presença de terrenos baldios, classificando a conduta como injustificável diante da estrutura disponível.

Como possibilidade futura, o vereador mencionou que, caso haja viabilidade constitucional, poderá ser estudada a destinação de parte dos valores arrecadados com multas para os denunciantes, como forma de incentivo, desde que respeitados todos os critérios legais e de fiscalização.

O autor do projeto afirmou que a expectativa é de que, com a participação popular aliada à atuação do poder público, seja possível ampliar a eficácia das ações e avançar no combate ao descarte irregular no município.