Privatização da Copasa é concluída na Bolsa de Valores e movimenta R$ 8,3 bilhões

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Foi concluído nesta terça-feira, 16 de junho, na Bolsa de Valores de São Paulo, o processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A operação movimentou cerca de R$ 8,3 bilhões no mercado de capitais e marcou uma das maiores transações do setor de saneamento no Estado.

A conclusão do processo foi acompanhada pelo governador de Minas Gerais, Matheus Simões, e pela presidente da companhia, Marília Melo, que estiveram presentes em São Paulo durante a formalização da operação.

A privatização foi realizada por meio de uma oferta subsequente de ações, conhecida no mercado financeiro como follow-on. O mecanismo permite que uma empresa já listada em bolsa coloque novos papéis à disposição dos investidores. Com o encerramento da operação, o controle da companhia deixou de pertencer ao Governo de Minas Gerais.

O principal investidor da nova estrutura societária será a Equatorial Energia, que passa a atuar como investidora de referência da Copasa por intermédio da empresa Gerais Saneamento. O grupo adquiriu 30% do capital social da companhia ao valor de R$ 49,03 por ação, totalizando um investimento aproximado de R$ 5,5 bilhões.

Havia ainda a possibilidade de ampliação da participação para até 42,62% das ações, o que elevaria o aporte para cerca de R$ 7,9 bilhões. No entanto, essa alternativa não foi exercida. Outra investidora de destaque na operação foi a Perfin Asset Management, que ficou com 12,76% das ações da empresa.

Com a nova composição acionária, a Copasa passa a ter 30% de participação da Equatorial Energia, 5% do Governo de Minas Gerais e 65% distribuídos entre outros acionistas do mercado.

Apesar da perda do controle acionário, o Estado manterá participação estratégica por meio de uma golden share, ação especial que garante poder de veto em decisões consideradas sensíveis para a companhia e para a prestação dos serviços públicos.

O acordo também estabelece restrições à negociação das ações adquiridas. Metade dos papéis ficará bloqueada por quatro anos, até junho de 2030. A outra metade permanecerá sujeita a um período de lock-up até dezembro de 2033 ou até que sejam atingidas as metas de universalização dos serviços de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto.

A operação financeira foi coordenada pelo BTG Pactual e contou ainda com a participação do Itaú BBA, Bank of America, Citigroup e UBS BB.

Ao comentar o resultado da transação, o governador Matheus Simões classificou a operação como um sucesso do ponto de vista do mercado financeiro. Segundo ele, a companhia foi vendida por um valor 380% superior ao registrado na véspera das eleições de 2018.

“O objetivo principal desta operação é garantir os investimentos necessários para a universalização dos serviços de água e esgoto nos mais de 600 municípios atendidos pela Copasa em Minas Gerais”, afirmou o governador.

A expectativa do governo estadual é que a nova estrutura societária acelere os investimentos em infraestrutura de saneamento, ampliando o acesso da população mineira aos serviços de abastecimento de água tratada e coleta e tratamento de esgoto.