Duas vezes nesta semana policiais civis deixam Paraíso para escoltar presas a Sta. Rita do Sapucaí

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O transporte de mulheres presas em São Sebastião do Paraíso para Santa Rita do Sapucaí continua provocando transtornos e retirando policiais civis de outras atividades. A situação, que já havia sido questionada anteriormente, voltou a ficar evidente nesta semana, diante da necessidade de dois deslocamentos para a unidade prisional localizada a mais de 200 quilômetros de Paraíso.

Em um dos casos, três mulheres suspeitas de envolvimento com tráfico de drogas em Itamogi foram conduzidas a São Sebastião do Paraíso para os procedimentos de Polícia Judiciária e, posteriormente, encaminhadas para Santa Rita do Sapucaí. As três foram transportadas em uma única viatura, acompanhadas por dois policiais — situação considerada inadequada do ponto de vista operacional e de segurança.

Além das três presas de Itamogi, policiais da delegacia de São Sebastião do Paraíso foram novamente a Santa Rita do Sapucaí, na sexta-feira, para conduzir uma presa, já com a possibilidade de que ela fosse solta ainda na própria custódia.

Outro ponto crítico é que, quando uma mulher é presa na Delegacia Regional de São Sebastião do Paraíso, todo o fluxo de atendimento pode ser afetado, já que há apenas uma cela. É nesse espaço que todas as presas permanecem, o que, na prática, pode travar o expediente da delegacia até a definição de encaminhamento ou transferência.

O deslocamento para Santa Rita do Sapucaí exige várias horas entre ida e retorno. Enquanto policiais e viatura permanecem envolvidos na escolta, outras demandas da Polícia Civil ficam prejudicadas. Nesta semana, houve pelo menos algumas ocorrências pendentes em razão da necessidade de servidores se ausentarem para realizar as conduções.

E o problema não terminou com o transporte das três mulheres. No dia seguinte, havia outra presa aguardando custódia na Delegacia de São Sebastião do Paraíso, enquanto um segundo caso também estava sob análise.

Uma das situações envolveu uma mulher detida em ocorrência relacionada à Lei Maria da Penha. O caso se prolongou praticamente de um dia para o outro, período em que ela permaneceu aguardando a definição de sua situação. Posteriormente, foi expedido alvará de soltura, evitando que também precisasse ser conduzida até Santa Rita do Sapucaí.

Em outro caso, uma mulher presa por furto, na quinta-feira (13), aguardava na delegacia para que o procedimento policial fosse iniciado. Na manhã de sexta-feira (14), ela foi conduzida para Santa Rita do Sapucaí.

Problema permanece sem solução

Em razão desse cenário, policiais da regional permanecem frequentemente de sobreaviso, já que a necessidade de transporte de presas pode surgir a qualquer momento, exigindo deslocamentos imediatos e reorganização do efetivo reduzido. O problema, no entanto, não se restringe a São Sebastião do Paraíso. Em outras regiões do Estado também há registros de dificuldades semelhantes.

Diante da situação, o sindicato que representa a categoria ingressou com um mandado de segurança contra o Estado, em que também é questionado especificamente a situação em São Sebastião do Paraíso, questionando a determinação judicial relacionada ao encaminhamento de presas para Santa Rita do Sapucaí. Na análise do caso, o desembargador responsável se mostrou favorável à exposição apresentada pela entidade. No entanto, a liminar solicitada para suspender imediatamente a prática não foi deferida.

Os episódios desta semana demonstram que a questão deixou de ser apenas uma discussão sobre distância ou conveniência administrativa. Na prática, o atual sistema interfere diretamente na rotina policial: enquanto servidores percorrem centenas de quilômetros para entregar uma presa ao sistema penitenciário, procedimentos e ocorrências em São Sebastião do Paraíso podem ficar aguardando.

A repetição dos casos torna ainda mais necessária uma reavaliação da logística adotada. Manter deslocamentos tão extensos, especialmente quando eles podem exigir sucessivas viagens em curto espaço de tempo, significa consumir efetivo, viaturas, combustível e horas de trabalho policial que poderiam estar sendo empregados na própria região.