Jornal estudantil A Criança de 1950
No mês de outubro de 1950,
circulou em São Sebastião do Paraíso, Sudoeste Mineiro, o jornal A Criança,
elaborado por alunos do Grupo Escolar Interventor Noraldino Lima, com
quatro páginas impressas pelo sistema tipográfico. Todos os textos publicados eram
de alunos do extinto Curso Primário, que hoje corresponde aos anos iniciais do Ensino
Fundamental. A equipe organizadora era composta pelos alunos: Sebastião Marques
de Paula, Luiz Neves Filho e Maria Pimenta Brigagão. Entre as alunas colaboradoras,
estava a menina Neiva Aparecida Neves, que, anos depois, viria ser uma das mais
competentes mestras de língua portuguesa da cidade. As matérias versavam sobre:
Dia da Criança, Dia da Pátria, Primavera, Relatos de Excursões, Redações e Poesias.
Ao incentivarem a publicação
do jornal, as professoras paraisenses estavam em sintonia com o que havia de
melhor naquele momento em termos de recursos didáticos para desenvolver a leitura,
a escrita e a consciência social. O jornal escolar foi um recurso muito
divulgado no Brasil, em sintonia com o movimento da Escola Nova, visando a
modernização da metodologia de ensino. Os autores desse movimento usavam a
grande imprensa para divulgar suas propostas e criaram a imprensa escolar.
Por vezes, os jornais escolares eram reproduzidos com os antigos mimeógrafos a
álcool, movidos à manivela.
Inaugurado em 1948, o referido Grupo Escolar foi o terceiro estabelecimento do gênero na cidade. Modelo extinto pela reforma educacional de 1971, quando iniciou a unificação dos antigos cursos ginasial e primário, dando origem ao Ensino Fundamental que tem hoje nove anos de duração, mas que muitas vezes é oferecido parcialmente em instituições municipais. A inauguração desse Grupo Escolar está nas páginas de O Cruzeiro do Sul, de 8 de fevereiro de 1948, sob a direção do jornalista João Borges de Moura e redação de sua filha jornalista Conceição Benedita Borges Ferreira (Sãozinha). Depois de sete décadas, não há mais os jornais estudantis e ampliam as redes sociais digitais, mas persiste o ideal de buscar uma educação escolar de qualidade para todos.

