UFLA Paraíso tem 27 artigos aprovados no ENEGEP

Com a participação de 15 estudantes, campus se destaca no maior congresso de Engenharia de Produção do Brasil, em São Paulo
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Delegação da UFLA Paraíso no ENEGEP 2026. Ao todo, 15 estudantes participaram do congresso, que teve 27 trabalhos científicos do campus aprovados

A Universidade Federal de Lavras (UFLA), campus São Sebastião do Paraíso, alcançou um resultado expressivo na 46ª edição do Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENE GEP), realizado entre os dias 20 e 23 de outubro, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Ao todo, 27 trabalhos científicos desenvolvidos por estudantes e professores da instituição foram aprovados para o evento, que contou com a participação de 15 alunos do campus paraisense.

Organizado pela Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO), o ENEGEP é considerado o maior encontro da área no Brasil e reúne pesquisadores, professores, estudantes e profissionais para apresentar pesquisas, compartilhar experiências e discutir os desafios da profissão. A edição deste ano teve como tema “Engenharia de Produção para a Transição Sustentável: Modelagem de Dados e Inovação”.

Para a UFLA Paraíso, que possui uma trajetória ainda recente, o número de trabalhos aprovados representa um avanço na produção científica e na inserção da instituição no cenário acadêmico nacional. As pesquisas contemplam diferentes áreas, como saúde, inteligência artificial, logística, cafeicultura, agronegócio, sustentabilidade, gestão de pessoas, processos industriais e inovação tecnológica.

Além da apresentação dos artigos, os participantes tiveram acesso a palestras, mesas-redondas, minicursos e outras atividades, com oportunidades de intercâmbio entre universidades e aproximação com profissionais do mercado.

DA SALA DE AULA À PRODUÇÃO CIENTÍFICA

De acordo com o coordenador do curso de Engenharia de Produção da UFLA Paraíso, professor Mário Sérgio Lorenço, os trabalhos apresentados no congresso são resultado de atividades desenvolvidas pelos próprios estudantes, sob orientação dos docentes, em projetos de iniciação científica, extensão, trabalhos de conclusão de curso e disciplinas da graduação.

Segundo ele, a participação em um evento dessa dimensão permite que os alunos ultrapassem os limites da sala de aula e experimentem diferentes etapas da produção científica, desde a elaboração de um artigo até sua avaliação e apresentação diante de pesquisadores de outras instituições. “O ENEGEP é o maior e mais tradicional evento da Engenharia de Produção no Brasil. Para os nossos alunos, estar ali significa mostrar o trabalho desenvolvido na UFLA para a comunidade nacional da área e, ao mesmo tempo, ter contato com o que está sendo produzido em outras instituições”, afirma.

O coordenador destaca que a experiência também contribui para o desenvolvimento de habilidades importantes na formação acadêmica e profissional, como comunicação, argumentação, escrita científica e capacidade de defender ideias. Outro benefício é a possibilidade de estabelecer contatos que podem resultar em futuras parcerias, estágios, oportunidades de emprego e ingresso na pós-graduação. “É um momento em que o estudante deixa de ser só ouvinte e passa a ser protagonista, apresentando, defendendo suas ideias e recebendo retorno de especialistas”, ressalta Mário.

A viagem foi viabilizada com apoio da própria UFLA, responsável pelo transporte dos estudantes, e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPE MIG), que disponibilizou apoio financeiro para a participação no encontro.

Mário também atuou como avaliador de trabalhos durante o congresso. Para ele, acompanhar o processo de avaliação e observar a qualidade das pesquisas apresentadas por diferentes instituições tornou ainda mais significativo o desempenho dos estudantes de Paraíso.

O professor considera que os resultados ajudam a consolidar a identidade do curso e demonstram a importância da integração entre ensino, pesquisa e extensão, especialmente em um campus que ainda está construindo sua trajetória.

A REALIZAÇÃO DE UM SONHO E A TROCA DE EXPERIÊNCIAS

Para a estudante Ana Beatriz Ribeiro, de 20 anos, participar do ENEGEP representou a realização de um desejo que começou ainda na infância. Ela conta que sempre admirou pesquisadores e palestrantes capazes de apresentar seus estudos diante de outras pessoas. “Sempre achei incrível quando via pessoas apresentando os resultados de suas pesquisas em congressos ou em outros espaços. Quando criança e durante a adolescência, sempre que tinha a oportunidade de ver alguém palestrando sobre um assunto que havia estudado e dominava, pensava: ‘Também quero ser assim!’. E acabou que consegui realizar esse desejo”, relata.

Ana Beatriz conta que viajou para São Paulo com grandes expectativas. Era sua primeira participação em um congresso dessa dimensão, e a possibilidade de apresentar o trabalho a pesquisadores experientes despertava uma mistura de entusiasmo e ansiedade. A expectativa de ter seu primeiro artigo identificado com um DOI, código utilizado para identificar publicações científicas, também tornava a experiência especial.

Antes da viagem, a estudante chegou a organizar um cronograma de atividades com as amigas, buscando aproveitar as oportunidades oferecidas pelo evento. Entre suas principais preocupações estava a apresentação da pesquisa e a capacidade de responder às perguntas feitas por especialistas.

Segundo ela, a experiência correspondeu às expectativas e permitiu perceber aspectos do próprio trabalho que poderiam ser aprimorados. As conversas com outros pesquisadores foram especialmente importantes nesse processo. “Essa troca foi e continua sendo muito grandiosa para o desenvolvimento do meu trabalho, pois permitiu conhecer novas perspectivas e enxergar possibilidades que, muitas vezes, não percebemos durante a execução do trabalho”, afirma.

A possibilidade de estabelecer contatos com estudantes de diferentes regiões do país também marcou a participação de Murilo Perloti Rodrigues, de 21 anos. Durante o congresso, ele conversou com universitários de outros estados, compartilhando informações sobre pesquisas, formação acadêmica e aspectos culturais.

Para Murilo, o intercâmbio mostrou que a experiência de participar de um congresso não se limita à apresentação de artigos. As conversas informais e o contato com diferentes realidades também contribuem para ampliar a visão dos estudantes sobre a profissão e sobre o próprio país.

Um dos momentos mais marcantes foi uma palestra dedicada à aplicação da Engenharia de Produção na área da saúde, justamente o campo relacionado à pesquisa que ele apresentou no evento. A atividade abordou perspectivas de atuação profissional e trouxe orientações que, segundo o estudante, ajudaram a ampliar seu entendimento sobre o assunto.

Murilo destaca especialmente a recomendação de que os futuros profissionais não sejam engenheiros apenas de ferramentas, mas desenvolvam a capacidade de compreender o ambiente em que estão inseridos, identificar problemas e buscar soluções adequadas a cada realidade.

A palestra também apresentou referências bibliográficas e conhecimentos que ele pretende aproveitar na continuidade dos estudos. O contato com novas abordagens, somado à experiência de apresentar seu trabalho, reforçou seu interesse pela pesquisa científica.

O estudante considera que a participação no ENEGEP teve impacto tanto na formação profissional quanto no crescimento pessoal. Para ele, conhecer pesquisadores, trocar ideias e descobrir diferentes possibilidades de atuação são oportunidades que deveriam fazer parte da trajetória de mais universitários.

PESQUISA TAMBÉM É INCENTIVO PARA CONTINUAR ESTUDANDO

A estudante Isadora Rezende, de 23 anos, acompanhou a participação da UFLA Paraíso sob uma perspectiva diferente. No último período de Engenharia de Produção, ela já havia participado do ENEGEP em 2025, quando o congresso foi realizado em Natal, no Rio Grande do Norte. Naquela ocasião, segundo Isadora, apenas ela e outra estudante do campus estiveram presentes. Neste ano, com a realização do evento em São Paulo, a delegação chegou a 15 alunos, além dos professores envolvidos nas atividades.

Para a universitária, esse crescimento demonstra maior envolvimento dos estudantes com a pesquisa e representa uma oportunidade especialmente importante para aqueles que ainda estão nos primeiros períodos da formação.

Isadora observa que muitos dos participantes estão no primeiro ciclo de estudos, antes de ingressarem na etapa específica de Engenharia de Produção. Na avaliação dela, o contato antecipado com pesquisas e profissionais da área pode ajudar esses alunos a compreender melhor a carreira escolhida e encontrar motivação para prosseguir na graduação.

A estudante também chama a atenção para as dificuldades enfrentadas por universitários ao longo da formação, que podem resultar na desistência do curso antes da conclusão. Nesse contexto, acredita que incentivar a pesquisa, a apresentação de trabalhos e o reconhecimento da produção acadêmica contribui para fortalecer o vínculo dos alunos com a universidade.

A experiência de apresentar um estudo em um congresso nacional, segundo Isadora, permite que estudantes ainda no início da graduação enxerguem a relevância do conhecimento produzido em sala de aula e percebam que também podem contribuir para o desenvolvimento científico. Para ela, foi especialmente gratificante acompanhar o envolvimento dos colegas e perceber o crescimento da participação do campus entre uma edição e outra do encontro.

VISIBILIDADE E  NOVAS OPORTUNIDADES PARA O CAMPUS

A aprovação dos 27 trabalhos também evidencia a variedade de pesquisas desenvolvidas na UFLA Paraíso. Entre os temas estão aplicações de inteligência artificial e Internet das Coisas, análises econômico-financeiras, previsão de demanda, melhorias em processos produtivos, indicadores ambientais, manufatura aditiva e economia circular.

Os estudos demonstram a abrangência da Engenharia de Produção, que não se restringe ao ambiente industrial e pode contribuir para a gestão de serviços, o desenvolvimento tecnológico e a melhoria de processos em diferentes setores da sociedade.

O resultado envolve o trabalho conjunto de estudantes e professores orientadores, entre eles Geandra, Roberta, Flávio, Mário, Augusto, Isabela, Paula, Ana Carolina, Erivelton e Pedro, que participaram da formação e do acompanhamento das pesquisas.

Na avaliação do coordenador Mário Sérgio Lorenço, a participação amplia a visibilidade da universidade, aproxima a instituição de outros centros de ensino e pesquisa e abre possibilidades de novas parcerias acadêmicas. “Levar 15 estudantes e ter 27 trabalhos aprovados em um evento desse porte é motivo de muito orgulho para o curso e para o campus. Isso fortalece a identidade do curso, aproxima a instituição de outras universidades e abre portas para parcerias”, destaca.

O professor também ressalta a importância do investimento na educação pública e no desenvolvimento científico, especialmente diante dos desafios enfrentados pelas instituições de ensino superior. “Também mostra o valor da universidade pública, que, mesmo em um cenário de desafios para a educação e a ciência, segue formando pessoas capazes de produzir conhecimento e transformar a realidade da região. Para nós, professores, é a confirmação de que o trabalho feito em sala de aula e nos projetos está dando resultado”, conclui.