Câmara aprova projeto que cria diretrizes para reduzir uso de carroças e charretes na área urbana
Proposta do vereador Juliano Reis (Biju) foi votada com dispensa de interstício e segue para sanção do prefeito
A Câmara
Municipal de São Sebastião do Paraíso aprovou, durante a sessão ordinária
realizada na segunda-feira, 9, o Projeto de Lei de autoria do vereador Juliano
Carlos Reis, o Biju, que estabelece diretrizes para o desestímulo gradual ao
uso de veículos de tração animal, como carroças e charretes, no perímetro
urbano do município.
A
proposta havia sido analisada previamente pelas comissões permanentes da Casa
e, após essa etapa, foi encaminhada ao plenário para votação. Durante a sessão,
o vereador Marcos Antônio Vitorino solicitou a dispensa de interstício,
permitindo que o projeto fosse apreciado imediatamente pelos parlamentares.
Na
votação, o projeto foi aprovado por maioria, com sete votos favoráveis e duas
abstenções, registradas pelos vereadores Maria Aparecida Cerize, a Cidinha, e
Luiz Benedito de Paula. Na condição de presidente da Câmara, Lisandro Monteiro
não participou da votação.
De
acordo com o texto aprovado, a proposta estabelece diretrizes para a redução
gradual do uso de veículos de tração animal na área urbana de São Sebastião do
Paraíso, buscando conciliar a proteção ao bem-estar dos animais com a realidade
social de trabalhadores que ainda dependem dessa atividade para subsistência.
Entre os pontos previstos estão restrições de circulação em vias de grande
fluxo, exigência de equipamentos de segurança e sinalização, limitação de carga
transportada e garantia de condições adequadas de saúde e bem-estar para os
animais.
O
projeto também prevê que o Poder Executivo promova ações de transição para os
trabalhadores que utilizam a tração animal como meio de sustento, incluindo
orientação sobre alternativas econômicas, incentivo à substituição por outros
meios de transporte e oferta de capacitação profissional.
Durante
a discussão da matéria em plenário, o vereador Biju afirmou que o objetivo da
proposta é criar instrumentos para ampliar a fiscalização e reduzir casos de
maus-tratos a animais utilizados em carroças e charretes. “Esse projeto vem
justamente para estabelecer diretrizes que permitam fiscalizar boas práticas
com os animais. Muitas vezes o cavalo fica no sol, com excesso de peso, e isso
acaba gerando sofrimento. A ideia é criar mecanismos para que possamos
fiscalizar e evitar esse tipo de situação”, afirmou.
O autor
do projeto também destacou que a proposta busca oferecer novas perspectivas
para trabalhadores e jovens que hoje dependem da atividade. “O projeto atua
justamente na periferia. São pessoas que muitas vezes não tiveram as mesmas oportunidades
de formação. A descontinuação é gradativa e vem junto com a possibilidade de
profissionalização, para que esses jovens possam buscar outras atividades e
melhorar sua renda, sem o sofrimento do animal e sem a pessoa precisar ficar
nas ruas fazendo fretes ou catando recicláveis”, disse.
O
vereador Luiz Benedito de Paula, que se absteve na votação, explicou sua
posição durante a sessão. Segundo ele, apesar de reconhecer a importância da
proteção aos animais, a atividade ainda é utilizada por moradores das regiões
periféricas da cidade para pequenos serviços. “Sou favorável à proteção dos
animais. Deixar cavalo no sol, carregando peso excessivo, isso é desumano. Mas
em muitos bairros da periferia as pessoas usam a charrete para fazer pequenos
fretes, tirar entulho ou carregar móveis. Meu objetivo ao me abster foi
defender que essas pessoas ainda possam realizar esse tipo de serviço”,
afirmou.
Em
resposta, Biju afirmou que o projeto não impede imediatamente a atividade, mas
busca criar condições para que novas gerações tenham alternativas
profissionais. “A intenção não é deixar essas pessoas reféns dessa atividade. É
justamente dar oportunidades para que os jovens possam se profissionalizar,
buscar outras áreas e ter uma renda melhor. Dá para conciliar o bem-estar
animal com mais dignidade para quem vive na periferia”, declarou.
Com a aprovação em plenário, o projeto foi encaminhado ao Executivo e agora aguarda sanção do prefeito municipal.

