F1 sai de férias com sabor de quero mais

O GP da Hungria encerrou a primeira metade de um campeonato muito melhor do que se desenhava no começo do ano. Lando Norris venceu pela primeira vez na temporada, tornando-se o quinto vencedor diferente nas últimas cinco provas
Foto: Mark Sutton/Reprodução
Lando Norris é o quinto vencedor diferente num campeonato que parecia ser só da Mercedes

Quando a temporada 2026 começou em março, sob o novo regulamento que apontava grande vantagem da Mercedes sobre as demais equipes, era difícil imaginar que o campeonato chegaria à sua metade com cinco vencedores diferentes nas últimas provas — e nenhum pódio repetido nas onze corridas disputadas.

Lando Norris venceu o Grande Prêmio da Hungria no último domingo. Foi a sua 12ª vitória na F1 e a primeira como atual campeão mundial. Max Verstappen terminou na segunda posição, mesmo reclamando bastante do comportamento do carro da Red Bull durante a prova. Kimi Antonelli, punido com a perda de três posições no grid de largada, por não reduzir adequadamente a velocidade em trecho com bandeira amarela, completou o pódio com a Mercedes, em terceiro, depois de largar da sétima posição. Os quatro primeiros colocados eram de equipes diferentes!

Antonelli aumentou a sua vantagem na liderança do campeonato ao terminar a corrida à frente de seus principais adversários na luta pelo título. O vice-líder, Lewis Hamilton, teve um fim de semana complicado, entre erros e acertos, e terminou a prova na quinta posição. Já o companheiro de Antonelli, George Russell, seguiu sua maré de azar e terminou apenas em sétimo com o outro carro da Mercedes, depois de cair para a última posição na largada devido a problema técnico.

A McLaren teve um fim de semana forte na Hungria. Norris fez a pole position com apenas doze milésimos de segundo de vantagem sobre Hamilton, contrariando o favoritismo atribuído à Ferrari no travado Circuito de Hungaroring. O heptacampeão, porém, também foi punido com a perda de três posições no grid por ter atrapalhado Oscar Piastri em sua volta rápida na classificação.

Piastri fez uma ótima largada e assumiu a ponta na primeira volta — saltando de terceiro para primeiro — e comandou a primeira parte da corrida, mantendo o companheiro de equipe (Norris) sob controle. Mas a partir do segundo pit stop para troca de pneus, tudo começou a dar errado para o australiano. Primeiro, perdeu a liderança da corrida ao ser tocado por Carlos Sainz, retardatário com a Williams. Na volta 56, foi obrigado a abandonar a prova, traído pela quebra do câmbio da McLaren.

A partir daí, Lando Norris precisou apenas administrar a vantagem para voltar a vencer — algo que não acontecia desde o Grande Prêmio de São Paulo, em novembro do ano passado. O triunfo colocou fim a uma sequência de cinco anos em que o autor da pole position não vencia em Hungaroring, uma das pistas mais estreitas e travadas da F1, depois de Mônaco.

Max Verstappen foi o grande nome da corrida — mais uma vez tirando leite de pedra com a Red Bull e sendo muito preciso na administração dos pneus, principalmente dos compostos macios. Foi eleito pelo público como o ‘Piloto do Dia’, muito por conta da bela ultrapassagem que fez sobre Hamilton na volta 16.

Hamilton teve um bom começo de corrida e estava na briga pelo pódio, mas recebeu outra punição, de cinco segundos, acrescida ao seu tempo de corrida por ter excedido em 1 km/h o limite de velocidade nos boxes. “Estão me penalizando feito louco”, disse pelo rádio ao ser informado pelo engenheiro. Foi a quinta punição de Hamilton em onze corridas — três delas nas últimas duas etapas. Leclerc herdou a posição do companheiro de equipe, e de equipe a ser batida, a Ferrari terminou o Grande Prêmio da Hungria em decepcionantes quarto e quinto lugares, respectivamente, com Leclerc e Hamilton.

A F1 dá uma pausa para as férias de verão na Europa, mas deixa um sabor de quero mais. Apesar do complexo, polêmico e contestado regulamento de motores com a distribuição 50-50% de potência entre o motor a combustão e o elétrico, que acabou desagradando mais do que agradando — sobretudo pela falta de energia nas retas, a temporada entregou até aqui boas corridas. Nada mal para um campeonato que começou amplamente dominado pela Mercedes.

O campeonato será retomado em 23 de agosto, com o GP da Holanda. Até lá, as fábricas de todas as equipes deverão, obrigatoriamente, ficar fechadas por duas semanas.