Estiagem e frio agravam doenças respiratórias e aumenta atendimentos na rede de saúde

UPA contabilizou mais de 15 mil ocorrências entre janeiro e julho, enquanto Santa Casa ampliou a estrutura para receber casos graves
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O período de estiagem, frentes frias e a baixa umidade do ar têm provocado aumento dos atendimentos por doenças respiratórias em São Sebastião do Paraíso. Dados encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde ao Jornal do Sudoeste mostram que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) registrou 15.112 ocorrências relacionadas a doenças do aparelho respiratório entre janeiro e 30 de julho de 2026.

Os números cresceram de forma acentuada com a chegada dos meses mais frios e secos. Em janeiro, foram contabilizados 1.274 atendimentos respiratórios. O total caiu para 1.190 em fevereiro, mas voltou a subir nos meses seguintes: foram 1.814 ocorrências em março, 2.299 em abril, 2.803 em maio e 2.994 em junho, mês que apresentou o maior volume do período. Em julho, até o dia 30, a UPA havia registrado 2.738 atendimentos.

Entre janeiro e junho, o número mensal de ocorrências aumentou aproximadamente 135%. A elevação coincide com o avanço do outono e do inverno, período marcado pela baixa umidade, maior concentração de poeira no ar e circulação mais intensa de vírus respiratórios.

A maior parte dos registros está relacionada às infecções agudas das vias aéreas superiores, grupo que inclui resfriados, sinusites, faringi-tes, amigdalites, laringites e infecções respiratórias de localização não especificada. Ao todo, foram 10.608 atendimentos desse tipo, o equivalente a cerca de 70% de todos os casos respiratórios identificados no período.

O diagnóstico mais frequente foi o de infecção aguda não especificada das vias aéreas superiores, com 4.036 registros. Em seguida aparecem amigdalite aguda não especificada, com 1.734 casos; resfriado comum, com 1.482; e sinusite aguda, com 960.

Os quadros de maior gravidade também tiveram presença expressiva nos relatórios. A UPA registrou 1.119 atendimentos relacionados a diferentes tipos de pneumonia, 937 casos de influenza ou gripe, 633 de bronquiolite aguda, 601 de bronquite aguda e 363 ligados à asma.

Em fevereiro, por exemplo, foram contabilizados 195 casos de resfriado comum, 146 de amigdalite aguda não especificada e 224 de infecção aguda não especificada das vias aéreas superiores. Em abril, apenas o diagnóstico de infecção aguda não especificada das vias aéreas superiores chegou a 652 ocorrências.

Além das doenças diagnosticadas, os relatórios apresentam 1.679 atendimentos por tosse e 256 por dispneia ou falta de ar. Esses registros não foram incluídos no total principal, por se tratarem de sintomas que podem estar associados a pacientes também classificados com pneumonia, bronquite, gripe ou outras doenças, o que poderia gerar dupla contagem.

Internações aumentaram na Santa Casa

O crescimento da demanda também foi percebido pela Santa Casa de Misericórdia de São Sebastião do Paraíso. A instituição informou que registrou aumento expressivo nas internações por doenças respiratórias durante o período sazonal, principalmente entre abril e junho.

Segundo a gerente de Planejamento Assistencial e Regulação da Santa Casa, Tatiane Cristina Bianchi, os meses de maio e junho concentraram o maior pico de atendimentos e internações, tanto em enfermarias quanto nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), envolvendo pacientes adultos e pediátricos.

Os principais diagnósticos observados foram pneumonia, bronquiolite, exacerbações de asma, descompensações de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outros quadros classificados como síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

De acordo com Tatiane, crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas permanecem entre os grupos mais vulneráveis às complicações. Embora não exista predominância absoluta de um único público, esses pacientes representam parcela importante da demanda hospitalar.

Nas últimas semanas, a Santa Casa observou discreto declínio nas solicitações de internação de crianças em comparação com o pico dos meses anteriores. Ainda assim, os pedidos de internação pediátrica permanecem em níveis considerados significativos. Idosos e pessoas com doenças crônicas também continuam exigindo atenção, principalmente pelo maior risco de descompensação clínica.

Diante do aumento da procura, a Santa Casa estruturou 17 novos leitos exclusivos para pacientes adultos e pediátricos com doenças respiratórias graves. A instituição integra a rede de retaguarda macrorregional para o atendimento aos casos de SRAG.

Os registros da UPA já apontavam números elevados em março, quando foram contabilizados 75 casos de broncopneumonia, 72 de bronquite aguda e 80 de bronquiolite. Em junho, foram registrados 110 casos de bronquite aguda, 100 de bronquiolite e mais de 180 ocorrências distribuídas entre diferentes classificações de pneumonia.

Ar seco agrava os sintomas

Segundo a enfermeira e gerente assistencial da Santa Casa, Mayra Reis Pedroso Pimenta, a baixa umidade do ar resseca as vias aéreas e reduz a eficiência dos mecanismos naturais de defesa do organismo.

“O ar seco resseca as vias aéreas, reduz a eficiência dos mecanismos naturais de defesa do organismo e favorece a irritação da mucosa respiratória, tornando as pessoas mais suscetíveis a infecções e à piora de doenças preexistentes”, explica.

Durante a estiagem, também ocorre maior concentração de poeira, poluentes e partículas suspensas no ar. Esses fatores podem intensificar crises de asma, bronquite, rinite, sinusite e DPOC, além de contribuir para o agravamento de infecções respiratórias.

Embora crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas sejam os grupos mais vulneráveis, os efeitos do tempo seco podem ser percebidos em toda a população.

A maior parte dos quadros leves pode ser tratada com repouso, hidratação e acompanhamento médico. No entanto, alguns sinais indicam a necessidade de procurar atendimento de urgência.

Entre os principais alertas estão falta de ar, dificuldade para respirar, respiração muito rápida ou com esforço, dor intensa no peito, lábios ou extremidades arroxeadas, febre alta persistente, sonolência excessiva, confusão mental, desmaios, tosse com sangue, queda da saturação de oxigênio e piora importante do estado geral.

Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com asma, DPOC, doenças cardíacas, diabetes ou imunossupressão devem procurar avaliação médica precocemente diante do agravamento dos sintomas.

Cuidados durante a estiagem

Para prevenir complicações, a Santa Casa recomenda manter boa hidratação, ingerindo água regularmente mesmo sem sentir sede. Também é indicado umidificar os ambientes quando possível, evitar exposição prolongada à poeira, fumaça e queimadas, manter os espaços limpos e arejados e higienizar as mãos com frequência.

Pacientes com doenças respiratórias crônicas devem seguir corretamente o tratamento prescrito e não interromper as medicações de uso contínuo. A recomendação também é evitar atividades físicas intensas nos horários mais quentes e secos do dia.

A vacinação contra influenza e Covid-19, além da vacina pneumocócica para os públicos indicados, permanece entre as principais medidas de prevenção contra complicações e internações.