Minas incorpora a equoterapia às políticas de reabilitação: Paraíso é referência desde 2004
A
assistência às pessoas com deficiência (PCDs) em Minas Gerais passa a contar
com um importante reforço na área terapêutica. Foi publicada na edição de quarta-feira,
29, do Diário Oficial do Estado a lei que inclui oficialmente a equoterapia e
outras práticas terapêuticas assistidas por animais entre as diretrizes de
apoio e reabilitação no Estado.
A nova
legislação altera a Lei nº 9.938, de 1982, ampliando o alcance das políticas
públicas destinadas às pessoas com deficiência para além da assistência médica
convencional. Com isso, a equoterapia passa a contar com respaldo legal e
institucional, reconhecendo sua contribuição para os processos de reabilitação
física, cognitiva, emocional e social.
Um dos
principais pontos da norma é a garantia do bem-estar dos animais utilizados nas
terapias. O texto determina que sejam preservadas suas condições físicas, nutricionais,
ambientais, comportamentais e emocionais, assegurando que a atividade seja
desenvolvida de forma ética e responsável.
A lei
teve origem em projeto de autoria do deputado estadual Coronel Henrique (PL),
aprovado em definitivo pelo plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais
em 8 de julho deste ano. Médico-veterinário por formação, o parlamentar possui
longa atuação ligada ao manejo e cuidado de cavalos e já havia defendido os
benefícios da ecoterapia durante audiência pública realizada em 2019.
Em São
Sebastião do Paraíso, a equoterapia é referência regional há 22 anos. Em 2004,
a fisioterapeuta Jerusa Colombaroli fundou o Centro de Equoterapia Amorequo
após buscar capacitação para atender uma paciente vítima de acidente que tinha
o sonho de voltar a montar a cavalo.
Lei
traz esperança para ampliação da equoterapia em Minas
Implantadora
da Equoterapia Amorequo, em São Sebastião do Paraíso, Jerusa Colombaroli
acredita que a inclusão da modalidade entre as diretrizes de apoio e
reabilitação às pessoas com deficiência abre caminho para maior valorização da
terapia e, principalmente, para sua ampliação.
Ela
explica que a eficácia da equoterapia está diretamente ligada ao movimento
tridimensional produzido pelo passo do cavalo. “Esse movimento proporciona
inúmeros estímulos ao cérebro da pessoa com deficiência, de onde vêm todas as
respostas tão benéficas proporcionadas pelo tratamento”, afirma.
Jerusa
ressalta, entretanto, que a manutenção dos centros especializados ainda
depende, em grande parte, da solidariedade da comunidade. “A realidade dos
centros de equoterapia é viver de doações e, em alguns casos, de mensalidades.
Manter um cavalo é muito caro, tornando o tratamento bastante dispendioso. Como
a maioria das pessoas que necessita da terapia é carente, precisamos buscar
parcerias para garantir o atendimento”, destaca.
Fundada
em 2004, a Equoterapia Amorequo atende atualmente cerca de 120 pessoas, com
idades entre 2 e 70 anos, incluindo pacientes com diferentes deficiências e síndromes
raras. Segundo Jerusa, a expansão do serviço somente foi possível graças ao
apoio recebido da comunidade de São Sebastião do Paraíso e de toda a região.
Ela
observa que a equoterapia se diferencia por atuar de forma integrada. “É a
única terapia que trabalha simultaneamente os aspectos físico, emocional,
mental e cognitivo. Os benefícios são inúmeros justamente porque o corpo é
tratado como um todo”, explica.
Na
avaliação da coordenadora, a nova legislação também renova a expectativa de que
a equoterapia passe a ser incorporada pelos planos de saúde e, pelo Sistema
Único de Saúde (SUS), permitindo que mais pessoas tenham acesso ao tratamento.
Atualmente,
a Equoterapia Amorequo mantém uma fila de espera de aproximadamente 50 pessoas.
“Só conseguimos chamar novos praticantes quando surge um patrocinador que
viabilize o atendimento. É preciso garantir recursos para manter toda a
equipe”, afirma.
Jerusa
lembra que a equoterapia exige uma estrutura multidisciplinar, formada por
fisioterapeuta, professor de educação física, psicólogo, pedagoga,
fonoaudióloga, equitador, além de auxiliares-guia e, quando necessário,
auxiliares laterais para dar suporte aos praticantes.
“Essa lei nos traz esperança de que possamos ampliar os atendimentos e oferecer essa terapia a um número muito maior de pessoas que dela necessitam”, conclui.

